terça-feira, 24 de março de 2015


Ele era o seu sonho. Meticulosamente feito sobre medida,na medida certa dela.
Era a sua vontade e ao mesmo tempo sua culpa, por ser ao mesmo tempo tudo o que ela queria, e exatamente o que ela não poderia querer... E ela observava cada pequeno detalhe dele, com uma admiração mais profunda que qualquer outra coisa, admirava ele em si, o seu sorriso, os seus olhos escondidos por trás daqueles óculos, o jeito como mexia no cabelo, ou o jeito de rir, a forma de andar ou falar, o timbre da voz. Admirava a alegria, a o jeito, a simplicidade e carisma dele. Mesmo que não se falassem, ela o observava , lá do outro lado, no cantinho dela,ela aprendia cada detalhe dele...

" Como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer... "

Ela sabia que era exatamente isso, apenas uma ideia que na realidade nem existia, ela sempre soube que não poderia querê-lo, então mesmo querendo, não o quis, e mesmo sem querer, o quis. E tinha plena certeza que nunca chegaria a ser mais que isso, uma grande admiração de alguém feito por encomenda, porém já encomendado para outro alguém, não era, e nem havia possibilidades de ser seu, mas isso não doía, era só mais um fato. E na realidade ? Não significava muito para ela, ele ainda seria o nerd do outro lado da sala, sorridente, engraçado, inteligente, anormal.. e ela ainda poderia admirá-lo, de lá, do outro lado.




terça-feira, 17 de março de 2015



Talvez esse seja o meu maior problema. Enxergar o amor por aí, enxergá-lo com os meus olhos, não com os olhos físicos, mas os sentimentais. Talvez, só talvez, eu não saiba como o amor é realmente, e isso faz com que criá-lo a minha maneira pareça mais simples. E vai ver que essa simplicidade é o que acaba complicando tudo sempre.
Fico aqui no meu mundo, trancada dentro de mim, fantasiando o amor do jeito que acredito que ele seja, e formando o meu próprio conto de fadas, onde não existe uma princesa linda e perfeita, mas apenas uma garota normal igual a tantas outras, com algumas coisas a serem melhoradas e um jeito bobo e desajeitado. O amor de sua vida não é um príncipe encantado, nem tão pouco vem num cavalo branco, não precisa ser o mais forte, nem precisará lutar contra bruxas e dragões, ou quebrar feitiços... Ele será como ela, normal, e com sua própria coleção de defeitos. Assim ele não exigirá dela que seja a melhor, nem ela que ele seja o mais. Serão simplesmente os dois, perfeitos um para a imperfeição do outro, irão sorrir e chorar juntos, mas acima de tudo se amarão, e esse amor será o suficiente para derrubar qualquer barreira que lhes apareça. É isso mesmo, ela também não quer um amor perfeito... Quer apenas um amor verdadeiro, com verdade suficiente para ser mais forte que qualquer mentira. É... Talvez seja bobagem mesmo, e eu devesse acordar desse sonho não realizado, mas acreditar não custa nada, nunca custou. Então continuo aqui, vendo o amor por aí, com os meus olhos.

segunda-feira, 16 de março de 2015





Vai sim, vai ser sempre assim. A sua falta vai me incomodar... (8'

Pois é, aqui estou... quilômetros de distância de você, longe de tudo e de todos... Quase todos. Mas, ainda assim você está aqui. De alguma forma você consegue estar em todos os lugares onde estou, como se me perseguisse por aí. Mas sei que na realidade, sou eu quem te levo comigo, mesmo contra nossa própria vontade, eu te levo de um lado a outro.
 Alguns lugares parecem mais frios que os outros, cheios de falsas lembranças que me levam direto às lembranças reais. E assim eu continuo, vivendo dia após dia contigo impregnado nas coisas ao meu redor, impregnado em mim, cada pedaço meu... Ah, como você me confunde, me enlouquece, desnorteia. Mesmo assim tão longe...
Eu não sei o que dizer, pensar. Sei apenas que está aqui, agora, dentro de mim e não ao meu lado. E isso ainda dói.

sexta-feira, 13 de março de 2015





Ela o desejou quase instantaneamente e sem perceber... o desejou para si.

Estranho o gosto dela, o gosto de gostar do que lhe parece improvável,o gosto pela satisfação da conquista. Era louca e sã, doce e azeda, suave e bruta, calma e tempestuosa, de forma desregrada e instintiva busca ser quem é a cada segundo, pelo simples fato de que quem quiser ficar que fique, pelo que ela é, pelo que tem por dentro. Guardava dentro de si seus furacões, mantinha apagados os seus vulcões e continuava serena, cogitando e perguntando-se quando a calmaria tornaria-se tempestade, e a rotina mudaria de rumo para uma aventura doce e quente.
 Dentro dela havia tanto, que as vezes até ela se perdia, queria apenas transbordar, sem medos, sem dores. Tão simples e tão complexo, assim como ela é, propriamente dita.

Seus pensamentos eram sua fuga, e sua imaginação o passaporte para qualquer mundo que desejasse. Qualquer um dos muitos mundos que ela possuía dentro de si mesma, era uma menina e uma mulher , uma perdida dentro da outra, sem saber-se ao certo a ordem e os porquês, apenas assim, vivenciando cada momento como lhe era devido, selecionando qual das duas viria a tona dia após dia. Trancava-se por dentro e viajava, visitava os quatro cantos de si mesma e nem ao menos saía do lugar. Descobriu a diferença entre viver e existir, e deu existência a vontade de viver por si. Amar-se, sem orgulhos ou egoísmos, tentando preencher as ausências que silenciavam todos os cantos a sua volta. Queria a delícia de poder saborear os pequenos detalhes das coisas simples, as quais tanto gostava...