sábado, 13 de junho de 2015

Conto de desencanto


Era uma vez uma menina colorida chamada alegria.  Alegria era clara, digo mais, iluminada. Irradiava cor e luz por onde passava... Alegria era simples, sem nós ou voltas, andava por aí sorrindo para todos, mas nem todos lhe sorriam de volta, alguns nem a enxergavam. Alegria não era qualquer uma, e nem todos podiam vê-la, alguns passavam desapercebidos por ela, enquanto outros a viam em todo lugar. Alegria era especial... Era.
Dizem que nem tudo é perfeito, e o tempo foi se encarregando de provar isso. Alegria,  forte e sonhadora, foi vendo que as pessoas já não se importavam com ela, dia após dia menos lhe enxergavam, Alegria tornou-se preto e branca, quase cinza. Escondeu-se, parecia outra. E mudou de nome, hoje chamava-se Tristeza.
Tristeza que um dia foi Alegria, já não andava por aí, rastejava-se pelos cantos, escondida e encolhida. Trazia consigo um peso que nem sabia como adquiriu. Escureceu. Com o tempo, Tristeza se via por aí sem precisar de espelhos, via-se nos outros, Tristeza pesada e escura, espalhada nos sorrisos desbotados e nos olhares mórbidos. Tristeza não estava só, porque muitos a acompanhavam. e assim seguia, sendo apenas Tristeza, já nem lembrava como era ser Alegria, não alegrava-se mais. Entristeceu e ponto.

terça-feira, 9 de junho de 2015

 

Naquele momento já não incomodava o frio, ou a chuva caindo sobre ela, não importava se estava molhada e ao relento, no fundo, tudo o que realmente fazia algum sentido , era o silêncio dentro de sua cabeça "- Esvazie sua mente. Livre-se de seus temores." Ela repetia incansavelmente para si mesma... Ouvia apenas a sua voz, baixa e cansada, já havia suportado tanto de pé, que agora ali, no chão, sentia-se mais confortável do que derrotada.
No fundo, tudo  o que ela realmente queria era libertar-se, carregava um fio de esperança dentro de si, tão teimoso quanto ela mesma, que insistia em permanecer vivo, mesmo que todo o resto tivesse desejando que ela e seu mundo morresse. As vezes ela mesma queria morrer. Mas só as vezes. Agora, ela estava lá, prostrada, sentindo os suaves golpes de cada gota vinda do céu, caindo e molhando, suplicava para si mesma e para a própria chuva, para que cada uma daquelas gotas pudessem lavar sua alma tão cheia de manchas, quem sabe assim sairia dali "viva", ressurgida das cinzas do que lhe sobrou, como uma fênix.