segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Trancada.


Ela se viu perdida nos próprios pensamentos novamente, mais uma vez está naquele mesmo lugar, no lugar onde as coisas parecem ficar mais silenciosas que normalmente são, onde os ecos de sua mente parecem gritar ao invés de falar, repetindo-se constantemente... Naquele quarto, onde todas as outras vezes que viu-se encurralada ela se abrigou, no mesmo quarto onde sorri e chora, repleta de segredos seus e de mais ninguém, encolhida naquela cama, ela busca as respostas e a força, o caminho está estreito agora... Ela não quer chorar, dessa vez não. Está sufocando dentro de si mesma as suas palavras, calando dentro de si todos os gritos desesperados que pedem por socorro, desta vez não estenderá as mãos em busca de alguém que tire-a de onde está agora. O seu mundo está parado, parado dentro de toda confusão de seus pensamentos, e ainda assim ficar de pé parece difícil demais... O passado sempre parece mais presente cada vez que fecha os olhos.  Onde jogar os sonhos quebrados? Não pode continuar guardando, seus cacos afiados lhe cortam o coração todos os dias. O que fazer com essa coleção de lembranças inúteis ? Precisa de um rumo, algo que a leve para longe, longe daqui, da dor, do medo... Longe de si mesma, e das coisas que parecem fazer parte dela agora. Do lado de fora desse quarto, tudo precisa parecer bem, tudo precisa estar no lugar, assim como do lado de fora, ela também precisava sorrir, mesmo que desmoronasse por dentro. O mundo não pararia nem mesmo para observá-la morrer, então... Quem precisava saber? Não adiantava mesmo, e é assim que cada um descobre sua própria força ou fraqueza. Por dentro! Poderia estar perdida agora, mas uma certeza tinha, enxugaria as lágrimas como tantas outras vezes, e havia de achar uma luz, por menor que fosse, para tirá-la de toda esta escuridão, onde ela mesmo havia se trancado.


Quão longe se pode ir, quando não se pode sair do lugar ?

Parada aqui, me teletransporto pra outro lugar... Sonho com o futuro, vislumbro o presente, visito o passado, regresso, refaço, faço, penso, imagino, mudo. Minha máquina do tempo? Está grande parte do tempo comigo, pendurada em meu pescoço, tocando algo em meus ouvidos, melodias e palavras com poder de me descrever, me refazer, me levar, me mudar. Versos que são tão meus, mesmo sem ser realmente, amor em ondas sonoras.  Música, que invenção seria mais útil que você? Mais completa, mais verdadeira, compreensiva, quando não tenho um palavra sequer a dizer, você diz tudo o que eu gostaria, arranca suspiros, risos, lágrimas, acompanha em qualquer lugar, para qualquer lugar, está em cada canto, debaixo de cada pedaço. 
Quando eu não posso sair daqui, é através da música que me vou, vou a qualquer lugar que deseje ir, apenas fecho meus olhos, e viajo. Junto com as notas, arranjos, timbres, eu guardo lembranças, desabafo medos e raivas. Hoje é um desses dias, em que não se há muito o que dizer, e tentar escrever também não adianta muito. Apenas colocarei meus fones e irei a outro lugar, a qualquer lugar longe daqui.