segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

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Oi moça, eu sei que a vida tem tido seus dias difíceis, eu sei que as vezes o choro entala na garganta e parece que irá te sufocar, é quando o sentido da frase " doer por dentro " aparece, e seu coração dá a impressão de estar pequenino de tanto ser oprimido. Eu quero que você saiba que eu sei que as vezes você tropeça, que as vezes tem o desejo de parar no caminho e tomar fôlego porque a caminhada é árdua. Sei que você assim como eu, tem seus defeitos, falhas e pontos a serem melhorados... Você nunca escondeu isso, e talvez seja essa sua transparência uma das características mais admiráveis. O mundo tem sido cruel, as pessoas têm esquecido do amor, as lutas as vezes parecem tentar matar a nossa capacidade de sonhas, e quando sonhamos temos esquecido de acreditar, mas sabe moça, você tem me mostrado através de suas guerras que por mais escuro que o céu pareça, as nuvens não podem impedir para sempre que o sol volte a brilhar. Eu vejo você sorrindo, vejo você abrindo os braços pra quem busca acolhimento, ouço e leio suas palavras de encorajamento... Eu sinto você me puxando com um de seus braços, mesmo quando o outro se encontra ferido. E é essa sua resiliência, esse modo que tem de encarar a vida e as dores, que tem sido exemplo maior para mim e para tantos à sua volta.
 Você sabe onde encontra abrigo, sabe quem pode curar sua dor, quem observa e peleja por você e com você diariamente, Ele nos avisou que teríamos aflições, mas também nos mostrou que Ele venceu, e com Ele vencemos também. Eu digo vencemos, no presente, porque estamos aqui, vencedoras da batalha que é a vida, a batalha que é acreditar que independente do que vivemos agora vai valer a pena.
 Eu desejo que você continue sendo forte, essa força que você tem de reconhecer suas limitações, de mostrar quem é, essa força pra continuar amando mesmo quando a reciprocidade não existe e esquecem do amor. Continue sendo essa pessoa, que não adianta apenas ver ou ouvir para que possamos conhecer, é preciso sentir. Você é Janeiro moça, e a cada dia eu oro para que tenhas coragem de recomeçar. Não precisa manter-se sempre de pé, quando doer a alma... ajoelhe-se. Tranque-se quando necessário para arrumar a bagunça e livrar-se das coisas velhas, tenha a certeza que quando abrir a janela para ver o sol, muitos estarão lá fora à sua espera, eles entendem tuas tempestades, e são agradecidos pela tua calmaria.

Ps. Amo você.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

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Eu acho que é "costume" né? O nome que se dá a isso que tenho sentido...
É isso mesmo, eu tenho me acostumado um pouco mais a cada dia, me acostumado com a sua ausência, em não te ver, não te ouvir, não saber de sua vida ou falar com você. Acostumei em estar no mesmo ambiente sem que isso me incomodasse, sem precisar procurar onde, com quem ou o que estava fazendo, a te olhar sem sentir uma vontade enorme de lhe abraçar. Hoje, tudo bem se você sorrir pra mim, o mundo não vai girar mais rápido, mas caso nem sequer olhe, tudo bem também, ele não irá parar. A verdade é que eu sempre insisti em permanecer porque acreditava que você precisasse de mim, mas não precisa, eu é que precisava que você precisasse, e reconhecer isso já é um grande passo dado.
Eu fiz tantos planos pra gente, eu sonhei tantas vezes em te ajudar a realizar os seus maiores sonhos, te apoiar pra enfrentar as barreiras do futuro. Eu quis ser forte por você, corajosa por você, enfrentar o mundo por você, esquecer o orgulho por você... Daí eu percebi que eu poderia fazer qualquer coisa por você, menos amar. Não dava pra amar por dois, não dava pra amar por você, o que dava pra fazer era amar você e por te amar te deixar ir de uma vez, igual aquelas mortes rápidas pra se evitar a dor e o sofrimento, só que neste caso eu já havia sofrido demais, e a dor já tinha me deixado dormente o suficiente para não saber quando era hora de parar. Hoje eu ainda lembro dos planos e dos sonhos vez ou outra, mas não me sufoca pensar que eles são apenas idéias e lembranças que não acontecerão, eles continuam sendo lindos, e o fato de não serem possíveis não os tornam menos verdadeiros, não penso em você com arrependimento, porque no fundo eu aprendi muito, cresci muito e toda experiência por mais dolorosa que seja nos trás alguma coisa positiva, basta saber ler nas entrelinhas.
 Hoje eu não pensei em nós dois como algo que acabou. Porque para que algo chegue ao fim precisa ter começado, e o "nós dois" nunca existiu, essa é outra verdade. Mas tudo bem para mim, não existe mais mágoa, ou rancor. Houve um tempo em que quando eu pensava em finalmente esquecer, eu cogitava a possibilidade de nem sequer lembrar mais da cor de seus olhos, e que quando finalmente esse dia chegasse, então você sentiria minha falta, se daria conta que eu era o seu amor e viria atrás de mim, só que aí eu já nem sequer iria querer te ouvir.Agora eu percebo que esquecer não tem nada a ver com isso. Eu ainda saberei a cor de seus olhos, eles continuarão sendo lindos, mas não terão o mesmo efeito sob mim, agora eu não desejo mais que você "acorde" quando eu estiver distante, não quero ser o amor que você deixou partir, não quero que venha atrás de mim. Eu sei o quanto dói ir atrás de quem não deseja ficar, e pelo amor que eu tanto senti eu não desejo isso para você. Eu espero, de verdade, que você nunca sinta minha falta, que nunca me olhe como algo que perdeu, que eu nunca seja motivo pra que seu coração doa... Não que o amor tenha acabado assim da noite pro dia, mas os dias e noites que passam têm modificado a forma de te amar, e hoje o amor não é o mesmo de tempos atrás, eu tenho a plena certeza que irei amar você pelo resto da vida, de um jeito ou de outro eu irei, porque é isso que eu quero, amar! Eu quero aprender a a amar até quem talvez nunca consiga sentir o que é o amor, e eu estou feliz de verdade pois eu tenho a certeza em meu coração que um dia eu irei substituir essa palavra "costume" por "superação".

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Sobre você


É tão ridículo, não é? Eu já perdi as contas de quantas vezes foi a "última música, último texto, último choro, última tentativa, última vez.." E cá estou eu novamente, escrevendo sobre você, e sobre essa absurda vontade que eu tenho de dividir minha vida contigo.

Como tudo isso começou? Ultimamente esta tem sido uma das perguntas mais recorrentes em minha cabeça. Em que momento eu me vi assim, envolvida nesse sentimento um tanto quanto perturbador, quanto eu dei por mim, já estava atada neste jogo cujas regras geralmente parecem ser ditadas por você. Procurar a resposta pra essa pergunta é como procurar pela solução, a cura ou antídoto para uma doença/veneno, é como procurar uma saída. Só que neste caso, eu nem sequer conheço a entrada. Você foi de longe a coisa mais louca que já me aconteceu, num âmbito geral foi também a mais intensa, a mais insensata, a mais linda ( diga-se de passagem em alguns pontos dessa nossa tão singular história ), porém foi também a menos premeditada. Eu queria poder simplesmente apertar um botão dentro de meu cérebro e acordar amanhã como quem nunca sentiu o seu beijo, ou ficou com seu perfume na pele, como quem nunca experimentou dormir no seu abraço, ou nunca sentiu a pressão das mãos contra o corpo. Queria poder esquecer todas as risadas, as brigas boas, as conversas sérias, as promessas, as palavras de consolo de alguém que não parece estar ali apenas e unicamente pelo prazer, mas que nutre um elo que ultrapassou tempo e dificuldades... São quase dois anos de idas e vindas, e a única coisa que eu consigo sentir depois de todo esse tempo é a forma como meu coração acelera ao ponto de parecer querer parar toda vez que você se aproxima ou aparece inesperadamente ou não, ou como eu te olho engraçado ( pra não dizer ridículo ) quando você está falando qualquer coisa sobre seus sonhos e metas.E eu olho pra você, e procuro um único motivo pra ainda me sentir como uma adolescente quando você se aproxima, ou pra amar a forma meio desengonçada que você anda, mas não existe nenhuma explicação plausível que justifique esse desejo enorme de poder andar de mãos dadas contigo por aí, sem ter medo ou cautela. Em pode postar as fotos mais bizarras com um texto meio engraçado e fofo, e ser apenas a sua escolha, como se este fosse o maior prêmio que eu pudesse levar. Eu só queria cuidar de você, e parece a loucura mais absurda pra quem me ouve, porque conheço várias pessoas que não conseguem entender porque eu ainda estou aqui depois de tanto tempo, depois de tudo isso. Nem eu sei... Mas eu sei que gostaria de poder continuar aqui pelo resto da minha vida, mesmo você sendo assim cheio de defeitos, eu também tenho uma coleção deles, e você sabe não é? Porque você conhece todas as minhas bobagens, besteiras, loucuras, cagadas... E eu nunca precisei ter medo de ser ou fazer algo ao seu lado, eu nunca precisei fingir, a talvez ninguém entenda mesmo, mas essa sensação de poder ser eu mesma, e te amar assim sendo você mesmo, é a melhor que alguém poderia sentir. As vezes, eu me pego imaginando nós dois juntos daqui muitos anos, você todo orgulhoso com nosso Benjamin, brincando no chão da sala e ensinando ele a ser tão zueiro quanto você, eu vou estar fazendo alguma coisa, qualquer coisa, mas paro e fico de longe observando vocês, e pensando na sorte de ter vivido tudo pra chegar até ali, naquele instante. Nesse momento um sorrio bobo já terá surgido nos meus lábios e você irá me olhar como quem não entende o que está se passando pela minha cabeça, mas irá sorrir de volta antes de perguntar " oque foi? ". Eu imagino tanta coisa sabia? Até as brigas, e o modo como faremos as pazes. Eu sinto muito... Por não ter sido forte o suficiente todo esse tempo, por não ter tido coragem de ir embora, por não ser boa pra te fazer sentir o que eu sinto. Tem tanta coisa passando pela minha cabeça agora, tanta coisa que eu nem sequer consigo descrever. Eu tenho tanto medo sabe ? De acordar daqui dez anos e não ser você que esteja do meu lado da cama, ou olhar para a porta e não ser você que entre por ela pedindo comida, medo de ter um bebê e ele não ter os seus olhos. Eu tenho tantos sonhos, eu sempre os sonhei, casar, ter filhos, minha família. Mas depois que tudo isso começou, seja lá em que momento tenha começado, todos os meus sonhos se tornaram nos sonhos que tenho para nós dois. E eu não consigo imaginar mais ninguém no seu lugar, é tão assustador, sabe? Porque eu sei que há uma probabilidade de eles nunca se realizarem, de receber um convite de casamento com outro nome que não será o meu do lado do seu, de ver você sorrindo o sorriso mais bobo que tem pra outra pessoa. E ao mesmo tempo que eu consigo imaginar você seguindo e sendo feliz com outro alguém, eu não consigo nem sequer me ver ao lado de outra pessoa. É verdade sabe, quando eu digo que tudo o que quero é te ver feliz, tanto que chego a pedir a Deus que coloque em sua vida alguém que seja melhor que eu, que te faça sentir o que eu não pude fazer, que realize os seus sonhos com você, alguém que te ame bem mais que eu, pois assim eu saberei que você estará bem. Mas tudo bem...
  "É tudo bem! Porque eu percebi que, não importa onde esteja, ou o que esteja fazendo, ou com quem esteja. Eu vou sempre, com toda força, verdadeiramente, completamente, amar você!"

sábado, 13 de junho de 2015

Conto de desencanto


Era uma vez uma menina colorida chamada alegria.  Alegria era clara, digo mais, iluminada. Irradiava cor e luz por onde passava... Alegria era simples, sem nós ou voltas, andava por aí sorrindo para todos, mas nem todos lhe sorriam de volta, alguns nem a enxergavam. Alegria não era qualquer uma, e nem todos podiam vê-la, alguns passavam desapercebidos por ela, enquanto outros a viam em todo lugar. Alegria era especial... Era.
Dizem que nem tudo é perfeito, e o tempo foi se encarregando de provar isso. Alegria,  forte e sonhadora, foi vendo que as pessoas já não se importavam com ela, dia após dia menos lhe enxergavam, Alegria tornou-se preto e branca, quase cinza. Escondeu-se, parecia outra. E mudou de nome, hoje chamava-se Tristeza.
Tristeza que um dia foi Alegria, já não andava por aí, rastejava-se pelos cantos, escondida e encolhida. Trazia consigo um peso que nem sabia como adquiriu. Escureceu. Com o tempo, Tristeza se via por aí sem precisar de espelhos, via-se nos outros, Tristeza pesada e escura, espalhada nos sorrisos desbotados e nos olhares mórbidos. Tristeza não estava só, porque muitos a acompanhavam. e assim seguia, sendo apenas Tristeza, já nem lembrava como era ser Alegria, não alegrava-se mais. Entristeceu e ponto.

terça-feira, 9 de junho de 2015

 

Naquele momento já não incomodava o frio, ou a chuva caindo sobre ela, não importava se estava molhada e ao relento, no fundo, tudo o que realmente fazia algum sentido , era o silêncio dentro de sua cabeça "- Esvazie sua mente. Livre-se de seus temores." Ela repetia incansavelmente para si mesma... Ouvia apenas a sua voz, baixa e cansada, já havia suportado tanto de pé, que agora ali, no chão, sentia-se mais confortável do que derrotada.
No fundo, tudo  o que ela realmente queria era libertar-se, carregava um fio de esperança dentro de si, tão teimoso quanto ela mesma, que insistia em permanecer vivo, mesmo que todo o resto tivesse desejando que ela e seu mundo morresse. As vezes ela mesma queria morrer. Mas só as vezes. Agora, ela estava lá, prostrada, sentindo os suaves golpes de cada gota vinda do céu, caindo e molhando, suplicava para si mesma e para a própria chuva, para que cada uma daquelas gotas pudessem lavar sua alma tão cheia de manchas, quem sabe assim sairia dali "viva", ressurgida das cinzas do que lhe sobrou, como uma fênix.


domingo, 17 de maio de 2015




Ele poderia nem se importar, mas por dentro, ela estremecia toda só em imaginar tê-lo algum dia. Parecia absurdo, mas sonhar em tocá-lo, senti-lo, amá-lo ... Era quase enlouquecedor, mesmo que tudo isso fosse por algumas minutos, horas, dias... Mais que isso, ela nem ousava sonhar, era impossível. E a única possibilidade existente em realizar isso, a fazia a pior vilã que poderia conhecer.
 Era loucura mesmo, e ela estava completamente louca, por ele e por todas as sensações que lhe causava. O perigo, a adrenalina, e ousadia... Ela parecia alimentada e manipulada por aquele jogo, um jogo altamente envolvente, no qual ambos os jogadores conheciam muito bem suas táticas e as táticas um do outro. Um jogo onde talvez ambos ganhassem e perdessem ao mesmo tempo. Era um jogo, e os dois sabiam disso, e ainda assim queriam jogar. Ele era sua maior fraqueza, seu maior erro, sua maior tentação, e seu pior pecado. Ele conseguia ser tudo isso apenas em um pensamento, e parecia ainda mais absurdo, saber que ambos compartilhavam desse pensamento, absurdo e louco. Ele era sua Kriptonita, veneno doce, daqueles que se bebe aos poucos só para tornar a morte mais lenta, lenta para apreciar cada último segundo que se resta. Era como se ela estivesse na beira de um abismo, e lá no fundo ele lhe estendesse a mão, ela sabia que jogar-se poderia matá-la, mas morria só pela vontade de alcançá-lo.

terça-feira, 12 de maio de 2015


As vezes, a cabeça dela se esvazia de consciência e se enche de pensamentos aleatórios e vazios, tão vazios quanto ela sente-se as vezes. E nessas tantas vezes, ela parece esquecer de todos os motivos que fizeram ela chegar até aqui... ela continua de pé, ela ainda respira, anda, dorme, sente. Mas na realidade?  Ela não sente mais. E as vezes nem ao menos sabe dizer se vive, ou quem é... Pois é, ela não sabe mais quem é, não reconhece a imagem no espelho, não ouve mais nem os próprios gritos que ecoem por dentro dela, ou disso que ela mostra ser.


 Uma falsa força, uma falsa falta de sentimentos... Apenas uma garota que ainda não aprendeu a agir como uma mulher.
 As vezes, ela parava no tempo, olhava ao redor e observava todas as pessoas que lá estavam, as que sorriam, que choravam, que abraçavam, que vivam junto dela, e era olhando pra essa multidão que ela sentia-se sozinha... Estranho não? Quanto mais gente lhe rodeava, mas sozinha ela parecia estar, sozinha e perdida... dentro dela mesma. Procurava motivos para continuar de pé, para não abandonar-se pelo caminho, já tão cansada de andar sem rumo por aí, apenas parar e descansar... Talvez o mais profundo dos descansos, o mais doce, ou mais amargo... Quem realmente sabe? Ninguém! Nem ela saberá, pois as vezes não sabe se continuar tentando é mesmo um ato de coragem, ou um ato de covardia, de não saber reconhecer qual é o limite, ou onde encontra-se o fim. Talvez ela estivesse realmente era fugindo, fugindo de dar explicações , cujas ela nem ao menos tem para si mesma; Estava tão cheia de sentir-se vazia, e tão vazia que isso a enchia... Na realidade ela nunca soube se explicar, e nunca soube se realmente queria fazer isso. Agora, olhando tudo, permanecer em silêncio e trancada no seu mundo, parecia ser o mais confortável.
Quanta loucura pode caber em um simples olhar ?
Talvez antes essa pergunta lhe parecesse absurda, mas agora sabia que talvez, um simples olhar pudesse tornar toda uma existência insanidade. Guardou por tanto tempo sua verdade inconsequente, e agora por ainda mais inconsequência deixou-a escapar... Onde estava com a cabeça?
 Parece que esse é o eterno ciclo de sua vida, colocar-se em lugares de onde ninguém pode tirá-la, as vezes nem ela mesma. Colocar-se lá por sua própria impulsividade, por sua necessidade de experimentar o erro antes de atestá-lo por errado.

terça-feira, 7 de abril de 2015


Talvez fosse só mais um daqueles momentos dela, por dentro ela já sentia-se totalmente habituada a esse ritual nem um pouco confortante. Pareceria loucura dizer que havia algum sentido nisso, principalmente quando dia após dia, incansavelmente ela busca um sentido pra continuar assim.


 Era como uma forte onda, que simplesmente vinha e puxava ela pro fundo, como o fundo do mar mesmo, ela mal conseguia ver, respirar, gritar... Apenas sufocava, sentia a inquietação, a impaciência , o medo e todas as outras desesperadoras sensações chegando e matando ela mais uma vez. E quantas vezes ela já havia morrido ?
Mais uma vez, um vídeo, uma música... E logo surgiam aquelas infinidades de pensamentos. Até quando? Tinha tantos ao seu redor, tanta gente, tanto carinho, tantos sorrisos, e ainda assim consegue sentir-se só, e isso lhe assusta tanto. Tem tantos sonhos que quer realizar, tem tantas ideias legais, sorrisos e declarações que pretende fazer. E se ...
 Ela precisa ser forte, o dia todo, o tempo todo, porque jamais saberia explicar a sua fraqueza pra ninguém, e embora tentasse, talvez nunca conseguissem compreendê-la, bobagem demais talvez, mas o mundo dela estava tão inseguro. Sentia um pouco de inveja sabe ? Não de uma forma ruim, não de uma forma que a torne pior do que já é. Apenas aquele desejo de poder ser ou ter também... Sentia, cada vez que via aqueles casais, que lia aquelas histórias, ou até que ouvia aquelas músicas... E acabava do mesmo jeito de sempre, no quarto escuro, chorando por alguém que talvez nem existisse.
 Estava machucada demais, por tudo, por todos... Quantas vezes mais precisaria ver os sonhos se quebrarem, quantas vezes mais precisaria catar seus pedaços espalhados pelo chão, isso quando ela mesma não caía ao chão. Tem tanto medo de ficar só, quanto tem de arriscar e acabar sendo infeliz. Confiar, agora parecia a maior prova de loucura. Não queria destruir ninguém, e ainda assim destruiu, e tantas outras vezes foi destruída. Quantas vezes quis pedir ajuda, quis gritar, quis sumir... Mas porque, para quê ? Isso doeria até que ela conseguisse distrair a mente e depois pararia de doer, e ficaria "tudo bem" , até que o medo volte, até que a incerteza volte. Ela não exigia muito, apenas alguém pra compartilhar a vida, alguém que não soltasse suas mãos quando ela confiasse de olhos fechados, alguém que não a largasse no caminho. Dizem que as decepções acabam matando todo e qualquer sentimento dentro das pessoas, mas os dela não morreram, apenas ficaram lá, sequelados e deficientes, sofrendo e fazendo sofrer. E ela adorava fingir ser a dona do mundo, quando na realidade sabe não ser capaz de lidar nem com as próprias dores.

terça-feira, 24 de março de 2015


Ele era o seu sonho. Meticulosamente feito sobre medida,na medida certa dela.
Era a sua vontade e ao mesmo tempo sua culpa, por ser ao mesmo tempo tudo o que ela queria, e exatamente o que ela não poderia querer... E ela observava cada pequeno detalhe dele, com uma admiração mais profunda que qualquer outra coisa, admirava ele em si, o seu sorriso, os seus olhos escondidos por trás daqueles óculos, o jeito como mexia no cabelo, ou o jeito de rir, a forma de andar ou falar, o timbre da voz. Admirava a alegria, a o jeito, a simplicidade e carisma dele. Mesmo que não se falassem, ela o observava , lá do outro lado, no cantinho dela,ela aprendia cada detalhe dele...

" Como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer... "

Ela sabia que era exatamente isso, apenas uma ideia que na realidade nem existia, ela sempre soube que não poderia querê-lo, então mesmo querendo, não o quis, e mesmo sem querer, o quis. E tinha plena certeza que nunca chegaria a ser mais que isso, uma grande admiração de alguém feito por encomenda, porém já encomendado para outro alguém, não era, e nem havia possibilidades de ser seu, mas isso não doía, era só mais um fato. E na realidade ? Não significava muito para ela, ele ainda seria o nerd do outro lado da sala, sorridente, engraçado, inteligente, anormal.. e ela ainda poderia admirá-lo, de lá, do outro lado.