terça-feira, 30 de dezembro de 2014


Ela adora escrever sobre romances... Ela não tem nenhum romance que possa descrever agora. Então resolveu falar de si mesma.


 Uma garota boba! Está aí uma afirmação que passa longe de ser necessária para quem a conhece. Ao menos superficialmente. Ela sonha demais, ri demais, fala demais, brinca demais, canta demais, ama demais... Faz tudo exageradamente, como se a qualquer momento algo lhe pudesse tirar qualquer uma dessas coisas, e precisasse ter a certeza de que fez tudo o que podia. Ao mesmo tempo, ela passa horas imaginando, supondo, calculando tudo, mesmo quando sabe que talvez não siga nenhuma dessas suas medidas. Ela é uma contradição. Quando todas as suas experiências deveriam torná-la fria, calculista, medrosa, e desacreditada, ela simplesmente se mostra ainda mais corajosa, impulsiva, esperançosa...e  porque não dizer, louca!
É isso mesmo, só pode ser loucura. Ela ainda sonha como uma garotinha de 15 anos, fantasia e idealiza a felicidade, o amor... Ah o amor, ela o descreve com uma perfeição que ela mesma nunca chegou a conhecer, e ainda assim acredita na sua existência, e espera por ele... Ela já decepcionou sim, e sabe disso. E não faz um pingo de questão de que alguém acredite no contrário, não se importa que saibam quem é, como é... Ser amada? Quem não quer? Mas quer que amem a ela mesma, a sua essência, por mais estranha e sem noção que possa parecer as vezes, quer a liberdade de não ter que fingir, quer mais que ser completa, completar alguém. E tantas e tantas vezes já foi decepcionada... Adoraria saber fingir, as vezes sim. Porque quando se é transparente demais, a probabilidade de chorar se torna ainda maior. Quantas noites em claro? quantas gotas derramadas?  Naquele momento não importava, isso seria recompensado um dia. Ah sim, seria. As vezes era imatura, para sua idade ao menos... E ainda assim conseguia agir com a maior maturidade do mundo quando necessário. Ficava surpresa com o dom de ajudar os outros, e de se alto complicar. Era uma menina e ao mesmo tempo uma mulher, doce e amarga, séria e descontraída, sã e louca... Era feliz, e isso bastava, mesmo quando sentia-se a mais triste do mundo. Particularmente, se achava exagerada, e as vezes até incomum. Costumava reparar em coisas que ninguém mais reparava hoje em dia, tinha gostos peculiares, e por mais moderna que fosse, levava dentro de si um pensamento "cafona" para certas coisas. Cheia de manias e falhas, cheia de medos. E ainda assim arriscava, ousava. Sabia de uma coisa... Por mais que falasse de si mesma, por mais que lhe conhecessem, ainda tinha a impressão que nunca saberiam quem ela realmente é.

Reflexão


Ela continuava ali. Por algum motivo que ela mesma desconhecia, continuava de pé, segurando-se dentro de si mesma para não desmoronar. A vida lhe tinha sido dura e fria muitas vezes, mas ainda assim ela continuava a levar consigo uma esperança tão grande, que chegava a lhe parecer loucura. Como continuar sonhando, quando a realidade só faz machucar? Ela perguntava-se isso repetidamente... Ao menos até hoje pela manhã. 

 Parar para observar as coisas ruins ao nosso redor se tornou tão natural e crucial, que as coisas boas passam desapercebidas, das mais pequenas até as maiores.Paramos para pensar nas contas a pagar, nas tarefas a realizar, nas conquistas não alcançadas, nas decepções, tristezas, miséria, dor... falamos tanto, que parece que todo o mundo é feito apenas disso, dessas falhas que são tão nossas quanto dos outros, mesmo que na grande maioria das vezes nós venhamos a acusar mais que admitir. Reclamamos tanto, que esquecemos de agradecer ao fato de ainda estarmos aqui... Vivemos uma vida cega, onde o maior erro está naquilo em que focamos. Somos seres tendenciosos, e essa tendência nos leva a reparar nas coisas quais quais somos cheios, as coisas que nos fazem.
Quantas vezes paramos para reparar na imensidão do céu, e no quanto somos pequenos? Mesmo quando chegamos a pensar que somos tão grandes e capazes.
Quantas vezes sorrimos para alguém, simplesmente pela doçura de demonstrar companheirismo? Um sorriso muda tudo.
Quantas vezes tentamos corrigir nossos próprios erros, antes de apontar o do próximo ? Ou quantas vezes perdoamos as falhas alheias? Sabendo que desejamos ser perdoados um dia também... 
Hoje pela manhã, uma pequena de alguns meses sorrio para mim... E de algum forma estranha ou louca, eu senti que ela precisava que eu acreditasse nessa esperança que trago comigo.


Dentro dela as coisas estavam confusas, havia uma multidão de pensamentos e sentimentos empilhados, pedindo para serem organizados, guardados... E quem sabe até descartados. Estava mais um vez diante de um recomeço. Dizem que o amor e a amizade, assim como todos os outros sentimentos, são uma via de mão dupla. Aquela altura do campeonato não me admirava que ela se questionasse quanto a coerência dessas afirmações, afinal... Justo ela que tentava dar o seu melhor o tempo todo, acabava saindo machucada de alguma forma. E quantas vezes compreendeu, mas não foi compreendida, amou e não foi correspondida, ajudou, porém foi abandonada... Tinha certeza apenas de uma coisa. Nunca poderia exigir perfeição das pessoas que estão na sua vida, pois é justamente isto a única coisa que não poderia retribuir. E aprendeu há muito tempo, que não temos o direito de fazer cobranças sobre coisas que nós mesmo descumprimos. Talvez o maior erro dela, seja não saber se entregar pela metade, ser por inteira o tempo todo e em tudo. E se tem uma dúvida que lhe ronda dentre muitas, é justamente essa:  - Isto lhe faz ser mais forte, ou mais fraca ? E sem uma resposta concreta vive sua vida assim, oscilando entre ambos, julgado e exigindo de si mesma, pois fazer isso com os outros não a levará a lugar nenhum. Ela melhor que qualquer um conhece as suas próprias imperfeições.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Mais lembranças.


Ela estava com saudades dele. Era isso mesmo, e não havia outra explicação. Estava com saudades dele mesmo, do seu jeito, do seu sorriso, de suas brincadeiras, da sua voz, da calma nos seus olhos... Por incrível que pareça, não estava sentindo falta apenas dos beijos, dos abraços, dos carinhos. Esses também lhe faltavam, e a falta que faziam era enorme. Mas se pudesse ter alguma coisa de volta, contentaria-se com tê-lo apenas. Ter as conversas, as palhaçadas, as implicâncias. Ele era incrível, ela não cansava de repetir isso. Parada ali, estava relembrando o passado, um passado recente, que tinha um enorme peso de distância. Agora, lembrar dele não estava lhe trazendo sorrisos, não estava lhe deixando em paz, não estava lhe deixando leve... As lembranças agora enchiam seus olhos de lágrimas, lhe atormentavam, pesavam em seu peito. Como podia?  Era a mesma pessoa, e lhe causava dois estados tão diferentes. Relembrava o dias que passou ao lado dele, as conversas que tiveram, as ideias. Lembrava dele sentado à mesa da cozinha, enquanto ela estava na pia, ou de ambos lá fora sentados, rindo dela mesma e de sua "humildade", recordava das chantagens, das promessas... E em sua mente lhe passava todo o cuidado que tinha para não decepcioná-lo, e agora parecia-lhe que foi tudo o que conseguiu fazer. Ainda não entendia como em tão pouco tempo as coisas haviam mudado tanto, agora não havia mais a inquietação para que os dias e as horas passassem e ela pudesse sentar-se junto a ele na casa de algum dos dois, para que pudessem passar algumas horas juntos. Ele tinha o dom de fazer o tempo correr, e ela adorava perder a noção de tempo junto dele. Não era nenhum incomodo ouvi-lo, olhá-lo, admirá-lo, esperar por ele. Ela o fazia com prazer, mesmo antes de se envolverem daquela forma, estar com ele já era um presente, e ela não pode negar o quanto tudo aquilo havia mexido e marcado sua vida. Ele que quebrou as grades e derrubou os muros dela, e tudo o que havia sobrado foram as ruínas. Irônico... 
Ela sempre sonhou com um amor avassalador, mas até agora a única coisa que lhe avassalava na vida, era a dor.


Inquieta...


Sabe aquela sensação de leveza incrível que eu vivia descrevendo ? Pois é, ela se foi. E deu lugar a um vazio tão pesado, que me traz a exaustão só de respirar... Porque dessa vez precisava ser tão difícil ? Justo agora que para mim as coisas pareciam tão mais simples. 

Hoje é mais um daqueles dias, nos quais eu acordo porque preciso acordar, e porque chega um momento em que até mesmo o sono lhe falta. Daí após muito tempo de olhos fechados, tentando dessa forma conseguir alguma maneira de escapar do mundo real, você abre os olhos e fica encarando o nada, com uma interrogação enorme em sua mente, procurando uma boa explicação para ainda estar ali, mesmo quando não se parece ter motivo nenhum para dar continuidade a isso... Hoje, ela só queria se esquecer de tudo e sorrir, como estava sorrindo há alguns dias atrás, sem nenhum bom motivo, apenas pela vontade de sorrir que lhe vinha de dentro, uma ansiedade e euforia sem limites ou tamanho. Uma inquietação boa o suficiente para transformar os eu dia, e uma certeza que ela não sabia de onde vinha... Certeza essa que se foi, junto com os sorrisos, a euforia, a leveza, e todas as outras coisas boas que você me trouxe, porque até mesmo você parece ter ido embora, e no fundo, eu me acuso de ser culpada por tudo isso. E agora, a angústia me brota junto com a inquietação e o medo me faz companhia. Não há como esquecer seus próprios defeitos, quando eles se mostram a todo momento e lhe tiram as pessoas importantes, não há como deixar os seus erros ou o passado para trás, quando eles insistem em se repetir e se refazer em sua vida. É engraçado, como na grande maioria das vezes, a dor maior vem do fato de você saber, que talvez, só talvez, você pudesse ter evitado tudo isso, mas infelizmente, não conseguiu.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Leve ...

                                    

E esse monte de suspiros que não cessam ? A sensação de leveza e inquietação dentro do peito... Ela está feliz. Mas nem precisa dizer isso, porque parece que todo mundo que a conhece realmente percebe o sorriso frouxo que lhe vive agora escapando pelos lábios. Ela não sabe em que momento isso começou, tudo isso, toda essa história enrolada que desenrolou ela de seus problemas, não sabe e as vezes não está nem um pouco interessada em saber, lhe faz bem, como há muito tempo nada lhe fazia, e agora está assim, leve e sorridente, contando minutos para exceder ainda mais... E que sensação era essa ? Que efeitos são esses ? As vezes ela mesma se surpreende, se questiona... Tão pouco tempo, 15 dias. E o seu mundo sombrio , triste e cheio de lágrimas e arrependimentos, agora mais parece um jardim ensolarado esperando os momentos de ver nascerem as flores... Ela é sonhadora demais, não é ? E até hoje realidade nenhuma foi capaz de fazê-la acordar.
 Não tinha muitas escolhas, além de continuar parada como se encontrava antes, esperando que a sua própria amargura lhe matasse por completo, ou ir... Para onde ainda não se sabe, mas até agora tudo isso tem lhe levado a algum lugar distante da dor que tão bem já conhecia, o destino final poderia ser desconhecido, mas ao menos havia a esperança, a esperança que antes lhe faltava.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Trancada.


Ela se viu perdida nos próprios pensamentos novamente, mais uma vez está naquele mesmo lugar, no lugar onde as coisas parecem ficar mais silenciosas que normalmente são, onde os ecos de sua mente parecem gritar ao invés de falar, repetindo-se constantemente... Naquele quarto, onde todas as outras vezes que viu-se encurralada ela se abrigou, no mesmo quarto onde sorri e chora, repleta de segredos seus e de mais ninguém, encolhida naquela cama, ela busca as respostas e a força, o caminho está estreito agora... Ela não quer chorar, dessa vez não. Está sufocando dentro de si mesma as suas palavras, calando dentro de si todos os gritos desesperados que pedem por socorro, desta vez não estenderá as mãos em busca de alguém que tire-a de onde está agora. O seu mundo está parado, parado dentro de toda confusão de seus pensamentos, e ainda assim ficar de pé parece difícil demais... O passado sempre parece mais presente cada vez que fecha os olhos.  Onde jogar os sonhos quebrados? Não pode continuar guardando, seus cacos afiados lhe cortam o coração todos os dias. O que fazer com essa coleção de lembranças inúteis ? Precisa de um rumo, algo que a leve para longe, longe daqui, da dor, do medo... Longe de si mesma, e das coisas que parecem fazer parte dela agora. Do lado de fora desse quarto, tudo precisa parecer bem, tudo precisa estar no lugar, assim como do lado de fora, ela também precisava sorrir, mesmo que desmoronasse por dentro. O mundo não pararia nem mesmo para observá-la morrer, então... Quem precisava saber? Não adiantava mesmo, e é assim que cada um descobre sua própria força ou fraqueza. Por dentro! Poderia estar perdida agora, mas uma certeza tinha, enxugaria as lágrimas como tantas outras vezes, e havia de achar uma luz, por menor que fosse, para tirá-la de toda esta escuridão, onde ela mesmo havia se trancado.


Quão longe se pode ir, quando não se pode sair do lugar ?

Parada aqui, me teletransporto pra outro lugar... Sonho com o futuro, vislumbro o presente, visito o passado, regresso, refaço, faço, penso, imagino, mudo. Minha máquina do tempo? Está grande parte do tempo comigo, pendurada em meu pescoço, tocando algo em meus ouvidos, melodias e palavras com poder de me descrever, me refazer, me levar, me mudar. Versos que são tão meus, mesmo sem ser realmente, amor em ondas sonoras.  Música, que invenção seria mais útil que você? Mais completa, mais verdadeira, compreensiva, quando não tenho um palavra sequer a dizer, você diz tudo o que eu gostaria, arranca suspiros, risos, lágrimas, acompanha em qualquer lugar, para qualquer lugar, está em cada canto, debaixo de cada pedaço. 
Quando eu não posso sair daqui, é através da música que me vou, vou a qualquer lugar que deseje ir, apenas fecho meus olhos, e viajo. Junto com as notas, arranjos, timbres, eu guardo lembranças, desabafo medos e raivas. Hoje é um desses dias, em que não se há muito o que dizer, e tentar escrever também não adianta muito. Apenas colocarei meus fones e irei a outro lugar, a qualquer lugar longe daqui.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Por dentro...


Estava na mesma escuridão, a escuridão na qual se refugiava todas as vezes que precisava buscar a luz... Parecia contraditório até mesmo para ela, mas havia um tempo que já tinha se convencido de que muita coisa parecia mesmo não ter um sentido. Onde estava ? Em algum lugar entre o passado e o futuro, mas se isso aqui era mesmo o "presente", ela não estava sentindo-se nem um pouco presenteada... Por fora, a garotinha sorria o sorriso altivo de quem era praticamente intocável, era forte e brava, sarcástica, irônica... Outra infinidade de qualidades e defeitos únicos que só faziam parte dela. Por dentro ? Por dentro guardava tudo aquilo que não podia ser exposto, aos amontoados, entulhados por toda parte, os pensamentos e sentimentos que ninguém conhecia, como montes de coisas inúteis guardadas num porão escuro e frio. Por dentro, era tudo umidade e poeira, o que ninguém via ou conhecia dela, trancafiados com grandes cadeados enferrujados pelo tempo... e ironicamente essa era a fraqueza que fazia dela mais forte, forte por ter chegado até aqui, viva, embora mergulhada até o pescoço em seus próprios medos e incertezas... As vezes, mas só as vezes, sentia-se quase uma imortal, e olhava pro mundo ao seu redor como algo que não podia tocar-lhe, loucura, burrice, ou refúgio... Não importava. Estava, ao menos naquele momento, insatisfeita com o que chamava de vida, e se perguntava francamente se todo esse tempo havia vivido realmente, ou apenas existiu, como uma simples peça de enfeite indiferente, daqueles colocados nas estantes apenas para fazer volume.  Estava cansada, mas mesmo assim o cansaço não lhe impedia de tentar dia após dia, e procurava entre os entulhos alguma coisa, qualquer por menor que fosse, que pudesse salvá-la, algo que ali estivesse esquecido a tanto tempo, porém que ainda pudesse ser ressuscitado, das cinzas à vida. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Carta para você não ler ...

Por que hein ? Eu tenho todos os motivos do mundo para te odiar, e eu tô aqui agora, totalmente confusa, com todos os pensamentos que têm me rodeado a mente desde esse último sábado, tudo aquilo, estar tão próximo de um passado que não passou tanto assim, lugares, lembranças, gostos, cheiros... o seu cheiro, as nossas lembranças, o seu gosto, os nossos lugares. Tem noção do que é isso ? Todo esse tempo, e eu que jurava estar tão forte e firme, acabei de decair no mesmo lugar de quase um ano atrás, o mesmo sorriso daquela noite me derrubou neste sábado, depois de todo esse tempo fugindo de suas lembranças, agora me pego aqui recordando nós dois a cada vez que fecho os meus olhos.
O que está acontecendo comigo ? Tudo estava bem, ao menos eu achava que sim, eu havia desistido de tentar uma reaproximação, pois é, eu havia pensado nisso várias e várias vezes depois do fim, até tentei, mas você fugiu, simplesmente se afastou sem deixar espaço para que eu falasse tudo o que sentia, e a frustração de ver quem dizia me amar agindo como se nunca houvesse existido amor, essa me fez querer te odiar pro resto da vida, e quem passou a te evitar fui eu, evitar te lembrar, falar de você, te ver, saber de sua vida, para quê? Para ter a certeza que não sentiu a mínima falta de mim ? Que minha ausência e nada era a mesma coisa ? Eu não precisava disso, não não, não precisava e não queria isso. Agora, eu relembro de quantas e quantas vezes depois do fim, eu não senti sua falta, eu não vi passando pela memória imagens de momentos felizes, quantas vezes quis estar ao seu lado... Que droga, depois deste último sábado, tudo voltou mais intensamente que se foi, as lembranças do início, dos sorrisos, de quem éramos... éramos um, e agora, somos dois, dois desconhecidos. Sábado, me perguntaram como havíamos nos conhecido, sabe que a muito tempo eu não parava para lembrar disso. Você lembra ? Naquela noite, eu quase não estaria ali, mas fui, quanta implicância e briguinhas, provocações, piadinhas, e sem que percebesse-mos, já estavam cogitando a possibilidade de nos tornarmos um casal... Lembra como "fizemos" a luz voltar ?  Eu lembro de comentar com as meninas sobre o seu sorriso, lembro de tanta coisa, de nós dois conversando perto da porta, dos docinhos, de você me adicionar no face, das trocadas de olhares quando você estava no carro do seu pai para ir embora, lembro claramente de chegar em casa e ligar o pc só pra aceitar teu convite, e acabei te encontrando online... lembra? Você disse que estava me esperando... Como eu queria que estivesse me esperando agora também. Parece que todas as lágrimas que eu fugi de derramar naquela quarta-feira, eu estou derramando agora. Lembra do dia da praia ? Aquele do show, e logo depois dele o Dona Lindu com a galera, tínhamos uma torcida enorme. Lembra aquele dia aqui em casa ? Karen, Will, você e eu, ou o dia em que Sarah também estava... lembra de tudo ? De quando conheci seus pais pela primeira vez, e a cunhada e sobrinho mais lindos do mundo, quando acabamos não indo pro Curado e indo pra aquela lanchonete.. E por fim, lembra do show? O melhor de toda minha vida, conhecemos gente ótima lá, e mais uma vez ganhamos adeptos a torcida por nós dois, naquele domingo após o show conheci a sua casa pela primeira vez, a casa que considero até hoje tão minha. E dali por diante, a história nossa realmente começou... Daí eu nem consigo contar quantos sorrisos ou quantos beijos foram dados... se for contar pelas fotos, são muitos, ô gente pra gostar de foto de beijo... Eu tenho todas elas aqui guardadas, não consegui apagar, nunca consegui, e as vezes fico olhando e pensando: - Cara, o quanto ficamos lindos juntos! Minha preferida é aquela lá em Natal, estamos nos beijando e formamos um perfeito coração. Eu tenho tantas perguntas para te fazer, tanta resposta pra querer, tanta coisa pra dizer, mesmo sem ouvir uma palavra em troca, queria tanto voltar no tempo, antes de nos destruirmos... Neste sábado, tudo o que eu havia trancado dentro de mim, pareceu voltar caindo com todo o peso sobre meus ombros, ver você, estar ali onde tantas vezes estivemos juntos, ver os planos feitos a meses atrás se realizando de forma diferente do planejado, ter todos os momentos repassando na mente, te ter tão perto e tão longe... os lugares onde fizemos histórias, de alegrias, choros, brigas, risos, beijos... loucuras. Sentir o seu cheiro, o cheiro que eu sempre adorei.. Sabe a sensação que me causou senti-lo novamente ? Nem ao menos eu saberia explicar, mas a vontade era de que tudo estivesse como antes. A todo momento, era esse o meu desejo, poder te abraçar, te ter perto, rir com você, te beijar, e na festa a todo momento eu pensava como seria diferente se ainda estivesse junto contigo, as fotos que tiraríamos, os momentos que viveríamos, eu não teria voltado pra casa, mas ficado lá, com você e toda a família, te ver chegar sozinho e querer estar chegando com você, foi uma das piores sensações que poderia ter, ela e o fato de a todo momento sentir que estava no lugar errado de onde deveria estar realmente, deveria estar ao seu lado... Que droga, por que você foi mudar tanto ? Por que do garoto maravilhoso e carinhoso por quem me apaixonei, você se tornou um garoto frio que começou a me deixar de lado até eu me sentir sozinha, mesmo estando com você, não fazia mais questão de me ver, de falar comigo, de ao menos saber como eu estava, me abandonou. Por que ? Onde estava o garoto lindo, romântico, carinhoso, amigo, companheiro? Aquele cujo não me fazia sentir falta de mais nada, eu só tive olhos pra você, até você me empurrar para longe, até me fazer sentir que nem você eu tinha mais, o pior é que eu nunca consegui colocar ninguém no seu lugar, o pior é saber que mesmo estando com alguém, eu ainda sinto sua falta... O que você fez com as lembranças? com os sentimentos e momentos? Alguma vez , ao menos uma vez, sentiu falta de mim ? Lembrou de nós ? Realmente me amou tanto quanto dizia amar ? Eu não estou tirando a minha culpa, eu sei que tive culpa também, os dois tiveram, mas eu estava, se ainda não estou, disposta a concertar meus erros, mas, e você ? Antes, eu lembrava de todas as palavras duras e frias, as vezes que me ofendeu, machucou, magoou, e não vi nem sequer um motivo pra continuar ao seu lado. Cega ... Agora, esses últimos dias, tento me lembrar de todas as brigas, de tudo, todo o lado ruim de nossa história, e me parecem tão insignificantes, idiotas, pequenos perto de tudo de bom que havíamos construído, nós mesmos destruímos... A verdade é que pensei que eu era mais forte que qualquer sentimento, mas vi que não. Só queria poder voltar no tempo, fazer tudo diferente, lutar por nós dois sem desistir tão fácil, lutar por você, por nossos sonhos... Você disse uma vez, que ia casar comigo, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida... Eu errei tanto, queria que me perdoasse por todos os erros, mas nem eu mesma consigo me perdoar por estar sem você hoje. Queria voltar aquela viagem, ao auge de nossa felicidade, eu faria tudo, tudo de novo, tudo de bom que nos uniu um dia... A separação deveria ter trazido minha felicidade, mas parece que só fez levá-la embora. Eu tenho tanta saudade ...

terça-feira, 15 de julho de 2014

Liberta.


Era assim que ela sentia-se naquele momento. Liberta. Livre de tudo o que a prendia no chão, leve o suficiente para sair flutuando, do mesmo jeito que sentia sua alma flutuar ao lembrar daquele sorriso, um novo sorriso, novo por ser outro, outro totalmente diferente dos de antes, esse não lhe escondia nada, sem mistérios, sem incógnitas, um sorriso claro e leve, que fazia seu coração palpitar de um modo eufórico, quase ofegante. Ela estava livre agora, já não sentia o peso das correntes, estava salva. Perdida e salva, porque agora mais uma vez o seu bobo coração havia voltado a sonhar, sonhar sonhos que não passariam disso, mas desta vez ao menos ela estava ciente, ciente e satisfeita, de algum modo estranho e engraçado até, aquilo não estava lhe causando dor, ou rancor, aquele era sim um sentimento diferente, e até o seu lado " negativo" de algum modo lhe trazia positividade, ela estava satisfeita sim, e conformada, as coisas são como têm de ser, como Deus decide que sejam, e ela não iria descordar jamais disso. Mas agora era alguém pelo qual realmente valia a pena manter-se quieta, no seu canto, era alguém diferente, de tudo e todos, alguém único em seu modo de ser. E ao lembrar dele ela sorria novamente, pela doçura que lhe passava... Ela estava perdida naqueles olhos, tão "claros" , e ao mesmo tempo estava salva, salva da escuridão de antes.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Simplicidade...


Simplicidade.... Por algum motivo bobo, hoje em um dos meus "passeios" a Cavaleiro, me vi observando as coisas e pessoas ao meu redor, e como de costume, falando comigo mesma sobre o quanto o ser humano é um ser complicado por natureza. É simples, ou talvez não... Mas vivemos rodeados de tantas e tantas tecnologias, artifícios, engenhocas... Coisas feitas e programadas para facilitar e simplificar a nossa vida e dia-a-dia, coisas que as vezes são ainda mais complicadas de utilizar que a forma convencional dos feitos, nos rodeamos de nada e nos esquecemos de tudo, a busca eterna pela felicidade, uma felicidade complexamente simples de se fazer presente. Quantos pequenos detalhes coloridos sorriem para nós diariamente, sem que percebamos suas presenças? Quantas chances de segurar a felicidade pela mão e caminhar com ela nos aparecem diante de nossos rostos?  Tudo isso faz parte daquele conjunto de perguntas que não há como ser respondido, porque nem ao menos chegamos a notar esses acontecimentos, ainda mais como contá-los. Ser feliz vai muito além da nossa compreensão pequena, pequena e falha, do que é perfeição, do que é ser importante. Passamos uma vida tentando construir coisas das quais não iremos usufruir, coisas com as quais perderemos tanto tempo, que não haverá mais tempo para desfrute. Deixamos passar um olhar, um sorriso, o céu, a natureza, a amizade, o amor, a inocência... Tudo se vai, se perde, se some, diante da quantidade excessiva de normas, que decretam qual deve ser o foco do ser humano, somos treinados desde pequenos para enxergar apenas um lado da vida, e deixar que o outro morra abandonado pelos cantos. Alguns escolhem um lado, outros escolhem o outro, tudo depende de cada um como ser individual e único.  A escolha é absoluta e unicamente nossa, não importando o que digam ou façam os outros, e a cada dia que se passa eu só tenho mais e mais certeza em relação a esse livre arbítrio, pelo que vivi, pelo que escolhi viver, pelo que hoje vivo... Para mim é simples, o segredo não está em uma escolha, de qual lado da vida seguir, de a qual coisa dar importância, o segredo está na conciliação, no balanço, em saber dividir, administrar... Em resumo, saber aproveitar cada oportunidade como única que é, olhar para as coisas lhe dando sua devida importância, cuidando do hoje, pensando no amanhã, e buscando superar o ontem, com sabedoria antes de força, com fé antes de atitude, porque a ordem é essa, antes vem a luta e depois a vitória. São nos pequenos detalhes que se vê a beleza verdadeira das coisas, num bebê sorrindo, numa flor recém brotada, numa chuva que cai... Nas mil e uma formas de perceber Deus nos dizendo - Filho, Eu sou todo poderoso, Eu tudo faço. Eu tudo posso. e É tão simples que chega a ser complicado, porque tudo isso é fácil demais, está ali, diante de nossos olhos, ao nosso alcance, porém toda a dificuldade é levantar-se e mudar, simplificar...O ser humano é mesmo complicado, mas ser feliz, é muito simples.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O doce sabor do limão.



Ao longo de nossas vidas, poucas são as vezes em que paramos para observar o mundo... Talvez pelo próprio corre corre ao qual estamos fadados a viver dia após dia, talvez porque muitas vezes, observamos tudo o que há de ruim ao nosso redor, mas esquecemos das coisas boas. O fato é que, não importa realmente qual seja o motivo, mas no final, todos nós passamos anos e anos correndo contra o tempo, e lutando contra um monstro invisível criado por nós mesmos. Felizes aqueles que conseguem em algum momento refletir, seja qual for o momento, num banho, antes de dormir, durante uma viagem... Isso é um bom sinal, sinal de que não foram totalmente tragados para dentro do buraco negro que é a monotonia, mas infelizmente, existem aqueles que já estão cansados demais para pensar antes de pegar no sono, atrasados demais, para não tomar um banho automaticamente calculado, preocupados demais, para fazer qualquer tipo de viagem em paz. Para esses ? Para esses eu desejo muita sorte, e quem sabe uma pitada de amor próprio, porque pode até haver quem discorde, mas para mim ao menos, deixar que tudo que está ao nosso redor passe assim, desapercebido, sem importância, sem sabor... É deixar que o amor por si mesmo se vá, junto com todas as oportunidades de felicidade que apareceram nos anúncios imperceptíveis das situações. Pode até ser filosofia demais para um sociedade tão acostumada a tragédia e dor, mas parando para pensar de verdade, quantas e quantas vezes nós nos pegamos reclamando da vida, das situações, dos problemas, incapazes de reconhecermos que foram nossas próprias atitudes e escolhas que nos fizeram chegar até onde estamos, seja no pedestal, ou seja no chão, somos nós mesmo que decidimos, consciente ou inconscientemente, porém... Quantas vezes paramos para agradecer ? Reconhecer as coisas boas que nos acontecem, os pequenos detalhes, aqueles que realmente fazem a diferença, os que realmente mudam alguma coisa. As pessoas me perguntam - Por que " O doce sabor do limão" ? Isso é tão complexo... Sabe, eu gosto de chupar limão ( eu e minhas lindas manias estranhas ), é legal sabe, quanto mais azedo é o limão, mais doce ficará a sua boca, de um modo que após o limão, até a água parece mais saborosa... Foi pensando nisso que dei o nome ao blog. Porque a vida é cheia de momentos assim, azedos, mas são eles que fazem os momentos doces, porque se não fossem as lutas, não haveriam as vitórias. Sem contar que tudo que acontece nessa vida, tem um lado positivo, então porque focar nas coisas ruins ?
No início, eu escrevia aqui textos surgidos do nada, depois, passei a escrever aqui os meus sentimentos do momento, algumas vezes, descrevia experiência pessoais de forma lúdica, e daqui em diante só Deus sabe o rumo que tomarei escrevendo. A questão é que adoro escrever, é uma das minhas características, algo que faz com que eu seja eu, diferente de outras, e hoje isso me deixa feliz, feliz por ter uma identidade própria, uma essência que pode ser criticada ou não, mas isso não fará  com que deixe de ser minha, descobri ao longo do tempo, que apenas eu posso dizer quem sou, serei, ou deixarei de ser, isso é o livre arbítrio, a liberdade que muitos enganam-se dizendo não ter, numa busca desenfreada de justificar suas atitudes e escolhas. Aprendi a aceitar quem sou, observar meus defeitos como coisas que podem ser trabalhadas, e não me contentar com o que posso fazer hoje, mas buscar melhorar todos os dias, aperfeiçoando minhas qualidades, só assim pode-se encontrar a felicidade, a satisfação, aceitando-se, amando-se, colocando Deus na frente de tudo e indo. Indo em busca do doce sabor que há no limão da vida.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Distância.


Com Guns começou e com Guns terminará... Bem nossa cara não é ?

Eu adoraria que estivesse aqui agora, adoraria sentir seu toque pela ultima vez, as batidas do seu coração como quando nos abraçávamos, mas esta despedida terá de ser assim, sem abraços, sem ultimo olhar ou toque, sem palavras finais. Cada um vai seguir pro seu lado, você muito bem e sem marcas, e eu com parte de você comigo, a parte da qual não consegui me livrar até agora. Não há muito o que dizer quando se olha para esse trecho da música, é bem isso mesmo, não tem como esquecer os momentos que passei com você, os como simples amigos, colegas, desconhecidos, algo mais... Nenhum deles há como apagar, e eu vou continuar pensando em você, aqui ou onde estiver. Eu adoraria que me pedisse para ficar, que me envolvesse novamente, que me pedisse simplesmente para esquecer tudo e recomeçarmos, tentar mais uma vez, eu esqueceria tudo, por você, eu faria tudo melhor, quem sabe assim não desse certo ? Mas você nem ao menos sente minha falta, e já deixou claro o quanto quer que eu te esqueça. E mais uma vez, eu me pergunto - Por que não pode me levar com você ?
E mais uma vez, não haverá resposta... Eu espero que esteja bem, que esteja feliz, espero que tudo dê certo para você e que nunca esqueça o quanto foi importante para mim. Não há muito o que dizer, porque minhas palavras não são suficientes para convencer você, e mesmo que eu te dissesse tudo isso, creio que e nada adiantaria, e se é assim que você é mais feliz, longe de mim, eu vou me adaptar a manter minha distância... Eu nunca pude te dizer pessoalmente, e pela ultima vez me atrevo a escrever... Amo você!

sábado, 7 de junho de 2014

Letras e notas.



Ela havia lido nos livros histórias de anjos de grandes asas, anjos arrebatadores, inquietantes, cheios de vida e ao mesmo tempo de morte, anjos cujas asas levavam consigo um pouco da escuridão, acinzentadas, enegrecidas... Anjos cujos olhos devoravam qualquer alma, decifravam qualquer pensamento e atiçavam toda a imaginação, de vozes suaves, misteriosos, intrigantes... O tipo de anjos que só poderiam existir em livros mesmo. 
Ela havia ouvido músicas que falavam de anjos, anjos que carregavam dores, anjos cujas asas haviam sido arrancadas, perdidos, sozinhos... Mas que em algum momento buscavam achar em alguém a vida que lhes faltava.
Naquelas páginas e notas ela encontrava a fuga da realidade, o sonho mais bonito, até ele aparecer em sua vida, e transformar o lúdico em real, e misturar a fantasia em sua mente, como talvez nunca pudesse ter sido feito antes... Ela estava diante do seu anjo, o anjo de grandes asas, o anjo dos livros e músicas, o que arrebatava, inquietava, o mesmo que a trouxe a vida e a levou para voar consigo, e logo depois a soltou no chão, o dono dos olhos devoradores de alma, que lhe decifrava pensamentos e lhe acordava a imaginação, o dono da voz rouca e suave que lhe causava arrepios, cheio de mistérios, trancado no seu próprio mundo, ele também carregava dores em suas asas, estava sozinho, perdido talvez... perdido em si mesmo, em seu mundo impenetrável, e mesmo assim ela o quis, o quis para si, para descobri-lo, voar com ele ela deixou o medo de lado e simplesmente foi, voou o mais alto que poderia ter ido, voou sem os olhos fechados, e ainda assim tem a sensação de não ter ido alto o suficiente. Mas agora este anjo estava diante dela, em carne e osso, não nos livros, não nas músicas, ele a olhava, a tocava, a sentia, e ela podia senti-lo também, sentir seu cheiro, seu gosto, sentir as batidas do seu coração contra seu peito enquanto estavam juntos, tão vivo e tão morto... Ele era a música e a fantasia, o conto... Encontrava nele o que buscava quando se refugiava em suas tristes melodias, nas páginas de seus livros, ele não tinha noção do valor que isso significava, ou talvez tivesse... E por esse motivo quem sabe, seu anjo bateu suas grandes asas para longe, levou consigo seu calor e seus mistérios, lhe deixou com um gosto de insatisfação por entre os lábios, queria mais de tudo aquilo, mas agora só oque lhe restava era a sensação de um dia ter estado em seus braços...


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Adeus... Essa é pra você.


Você alguma vez já precisou velar pela morte de alguém ainda em vida? Chorar, sofrer, se despedir como se essa pessoa nunca mais fosse voltar pra sua vida, tendo a plena certeza que de que irá saber dela todos os dias, e a verá quase sempre...
Você já se viu perdido? Andando em círculos que nunca acabam, cheio de perguntas as quais não existem respostas, pelo menos nenhuma resposta concreta de verdade....
Você já se viu sem ninguém? Cheio de pessoas ao seu redor, mas tendo a plena certeza de que não estavam ali por você, que talvez quando precisasse ou estendesse a mão pra pedir ajuda, talvez todos realmente sumissem do seu lado...
Você já se sentiu preso? Preso numa lembrança, num sonho, numa vontade, numa esperança, numa idiotice, num lugar... Preso em um sorriso, em um olhar, daqueles que parecem que nunca saíram de sua mente confusa e pequena, daqueles que parecem dominar você intensamente... Eu poderia prosseguir aqui, cheia de perguntas sobre como você já pode ter se sentido um dia, mas na realidade, estou falando de mim mesma, de como me sinto agora, neste momento, de como me sinto em relação a você, e tudo o que representa, significa pra mim, porque tudo isso é sobre você, é por você, é para você, e eu já desisti de tentar lutar pra sair daqui, porque é tipo uma poça de areia movediça, quanto mais eu me mecho, quanto mais luto, mais afundo, e eu simplesmente me rendi agora, para que as coisas aconteçam no tempo que tem de acontecer, porque eu sei que vou te esquecer um dia, não posso ficar com você para sempre em minha mente, e eu voltarei para o começo, sem cometer os mesmo erros passados, eu passarei longe de você, em silêncio e sem chamar atenção. Enquanto isso ? Bem, enquanto isso eu fico aqui, sem derramar nenhuma lágrima por mim, firme, mesmo quando seus olhos param diante de mim, mesmo quando me olha e parece me enxergar por dentro, como quando me olhava antes, seguido de um sorriso sarcástico que parecia dizer - Eu sei no que está pensando, sei o que sente.  
Mas agora, o seu olhar não vem mais acompanhado com um sorriso, e mais ninguém saberá de toda a nossa pequena história, aquela na qual eu acreditei que estava te fazendo feliz, a mesma em que você dizia que minha loucura parecia com a sua... Não haverá mais uma viagem para Roma, não irão haver discussões sobre quem pagará as passagens, e toda a surpresa que eu havia pensado pro seu aniversário...Eu não sei em que momento em baixei a guarda, eu juro, juro que não planejei nada disso, eu nunca quis te magoar, atrapalhar... Nunca quis te perder, mas eu perdi, tão inesperadamente quanto pensei que houvesse ganho. Adoraria poder voltar no tempo, eu não te ligaria pela madrugada, nós não nos tornaríamos irmãos por parte de nossa pandice, não haveria leitura de poesias pela madrugada, sem viagens imaginárias, não haveria um jantar a luz de velas, ou uma falta e excesso de sal, seriamos apenas você e eu, e uma troca de " Oi's " educados, eu continuaria sendo apenas a garota que derrubou dois litros de Fanta na primeira vez que você a viu, e você seria apenas o visitante que me viu pagar um mico... Talvez agora eu ainda pudesse sorrir pra você, mas eu não posso voltar não é? Não existe aquele botãozinho que vai me fazer concertar tudo. Sabe o que eu queria? O poder de um cupido, ter flechas mágicas que fizessem as pessoas se apaixonar... Não, eu não iria atingir você, não que eu não quisesse que você me amasse, sim sim, eu adoraria, adoraria ser a dona dos seus olhos, o motivo do seu sorriso, ser um ponto de paz, um abrigo, uma amiga, cúmplice, mas eu queria tudo isso honestamente, de verdade, que simplesmente me amasse como sou, a garota boba, que você chamava de dodói e arrastava pro seu sofá... Eu atingiria ela, faria ela te amar, assim como você é, desejar cuidar de você, te proteger, estar ao seu lado. Eu só queria te vez feliz, só queria poder tirar toda essa dor que você leva dentro de si, essa que as vezes grita nos seus olhos, e me dói tanto não poder nem ao menos te abraçar.
Eu não pude me despedir, eu nunca pude, foi tudo tão rápido, eu perdi o controle de tudo, eu perdi tudo. Eu amo você, com todo esse seu jeito, todas as crises, as loucuras, os defeitos, as qualidades, você, como é, sem tirar nada que pudesse te fazer ser alguém diferente... Me perdoa ? Porque eu não consegui impedir isso de acontecer, não fiz o que você pediu, não controlei meus sentimentos. Não importa o que eu ouça sobre você, nada nunca vai me parecer mais real do que aquele garoto que eu conheci, o que me lambuzou daquela tentativa de brigadeiro, o que adorava ver novela, o mais doce, carinhoso, engraçado, o que eu tanto admirava por ser tão inteligente, tão cheio de opinião, o que eu dizia ter um caso de amor com meu nariz, que se juntou com minha mãe pra me zoar, o que me beijou no milkshake ... Eu não consigo mais, não consigo mais lembrar de nada disso, eu luto dia após dia pra esquecer cada momento contigo, pedindo a Deus pra levar tudo isso embora, e me perguntando se pra você realmente não passou de um erro, Sim, foi um erro, porque fizemos tudo errado, mas naqueles dias, naqueles momentos, eu fui a mais feliz. Obrigada! Talvez você nem se lembre, mas na igreja, enquanto conversávamos você me perguntou porque eu não apareci antes... Eu adoraria ter aparecido antes, de verdade, quem sabe eu não conseguisse ter te feito feliz, quem sabe? Eu adoraria ter estado com você desde o começo... Adeus.

Anjo


A quanto tempo eu tenho andado ? Meus pés cansados pararam de sentir a muito, desde antes de meus sonhos doloridos ficarem pelo caminho, eu estava apenas seguindo, o vento talvez, ou o que me empurrasse com mais força, a qualquer direção, apenas sendo guiada por não ter mais um destino certo, eu não estava sem escolhas, porém não via nenhum motivo que me levasse a escolher algo, ao menos algo que me tirasse do lugar onde eu estava... Talvez a esperança fosse um lugar, um desses nos quais descansamos para enfrentar outra longa caminhada, e eu não ousava olhar para trás, o passado nunca me pareceu mesmo assim tão atraente, eu continuei apenas. Mas o futuro é algo mesmo incerto, algumas vezes simplesmente nos perdemos no meio do caminho, e ficamos sem rumo ainda que já não tenhamos um, quando eu te vi eu não me perdi, eu apenas não deveria tê-lo observado tanto, buscar os detalhes deve ter sido meu erro, eu não deveria tê-lo olhado nos olhos, a partir dali acho que toda minha atenção perdeu um pouco da consciência, eu não deveria ter fixado minha vida na sua... como poderia o diabo colocar em seu caminho, alguém que se parece tanto com um anjo quando sorri para você ? Anjo, me diga  ... Quanto tempo eu andei? Porque nem ao menos isto eu percebi, talvez porque na realidade, eu não lembre ao certo em que momento eu parei aqui, diante de você, e se eu conseguisse saber em qual momento me deixei vislumbrar por seus olhos, eu saberia quanto tempo andei... Porque o passado nunca me foi tão atraente, mas eu acredito que em algum momento eu precise voltar atrás, de volta ao caminho, aquele que desvia-se diante de sua presença... A quanto tempo estou parada ? Encantada com o seu brilho, eu nunca me senti tão presa ao chão, porém tão leve para flutuar, e eu desejo que me envolva em sua asas, e me leve com você, me envolva em suas grandes asas e me deixe voar até a sua realidade tão distante, eu acredito no seu sorriso, e eu adoraria que soubesse que eu adoro o jeito como sorri, mas como voar contigo, se nem ao menos você sabe como sair do chão, anjo preso a dor, com o triste peso cor de cinza em suas asas, não chore querido, não chore esta noite,  apenas venha comigo, deixe-me arrancar-lhe as asas, porque o sangue talvez seja um tanto mais leve que as dores que elas carregam, deixe as lágrimas secarem agora, apenas segure em minha mão, não tenho asas para lhe oferecer um voo, mas não irei te deixar só na caminhada



Ela.


Fazia tanto tempo que ela não vinha aqui, cheia de mágoas e dores... Ela estava forte até agora, ou ao menos tentava permanecer assim, intacta diante de tudo o que desmoronava na sua frente, ela nunca foi do tipo que teve muito medo, e neste momento assim como nos outros, ela estava ciente de tudo o que poderia acontecer de agora em diante... Desprotegida, pobre garota cheia de ilusões, era assim que se sentia, mas nunca deixou que ninguém percebesse, essa era a sua couraça, sua defesa... atrás de tudo isso ela se escondia, sua proteção pessoal era justamente essa, não precisar da proteção de ninguém, havia aprendido muito antes dali, que confiar nas pessoas poderia ser doloroso, nunca foi boa com as palavras ditas, parecia mesmo engraçado naquele momento... Ela nunca soube pedir socorro, e sempre calou dentro de si seus próprios gemidos de dor. Ela era apenas uma garota comum, dessas que a gente encontra por aí, que topamos todo os dias na rua, não tinha nada de anormal, não ao seu ponto de vista de normalidade, ela não chorava lágrimas de sangue, por mais que seu choro lhe parecesse salobro e sufocante, mas mesmo assim se sentia tão estranha, tão diferente... Ser diferente nunca foi um problema, não para ela, mas naquele momento aquilo tudo lhe incomodava e talvez sua única fuga fosse voltar aqui, a este lugar que ela faz ser tão seu, tão frio, tão quieto, ouvindo apenas o seu próprio pensamento e a música que ela havia escolhido para o fundo.. Queria fugir pra qualquer lugar longe de sua realidade, de todos os problemas, das exigências, queria apenas uma mão que a levantasse, mas cada vez que levantava os olhos não conseguia ver nada além do céu, aquele mesmo céu que a fazia parar pra pensar o quanto era pequenina, se sentia tão indefesa e ao mesmo tempo tão corajosa, mas nunca soube dizer isso a ninguém... As palavras ? Essas lhe sumiam todas só de pensar em colocá-las para fora de algum modo que não esse, ao qual estava tão habituada.... escrever! Essa era a sua melhor forma de expressar o que sentia, mas naquele momento ela não sentia nada, nada além daquela solidão que se apodera vez ou outra da pessoa, mesmo quando ela está mais cercada por gente, gente que as vezes parece nem enxergá-la, ou talvez gente com algum poder sobrenatural de enxergar atravéz dela, talvez isso explique o fato de não perceberem o que ela trás por dentro, mas no fundo é bem mais confortável não ser o centro das atenções. Ela está tentando amarrar seus sonhos, bem presos a ela, para que não se soltem, para que não vão embora junto com tantas outras coisas que já se foram de sua vida, agora, no escuro, ela enxerga melhor que em qualquer outro momento, ela se enxerga por dentro, como é de verdade, como normalmente ninguém sabe enxergar, apenas ela, confortavelmente perdida em si mesma, perdida em seu mundo, no fundo ela sabe, ela pode sentir, que talvez seja isso mesmo, que a vida tenha lhe preparado de surpresa, alguma coisa diferente daquilo que prepara pra maioria das pessoas, mas que acima de tudo, só ela pode fazer isso ser bom ou ruim.