quarta-feira, 4 de junho de 2014

Anjo


A quanto tempo eu tenho andado ? Meus pés cansados pararam de sentir a muito, desde antes de meus sonhos doloridos ficarem pelo caminho, eu estava apenas seguindo, o vento talvez, ou o que me empurrasse com mais força, a qualquer direção, apenas sendo guiada por não ter mais um destino certo, eu não estava sem escolhas, porém não via nenhum motivo que me levasse a escolher algo, ao menos algo que me tirasse do lugar onde eu estava... Talvez a esperança fosse um lugar, um desses nos quais descansamos para enfrentar outra longa caminhada, e eu não ousava olhar para trás, o passado nunca me pareceu mesmo assim tão atraente, eu continuei apenas. Mas o futuro é algo mesmo incerto, algumas vezes simplesmente nos perdemos no meio do caminho, e ficamos sem rumo ainda que já não tenhamos um, quando eu te vi eu não me perdi, eu apenas não deveria tê-lo observado tanto, buscar os detalhes deve ter sido meu erro, eu não deveria tê-lo olhado nos olhos, a partir dali acho que toda minha atenção perdeu um pouco da consciência, eu não deveria ter fixado minha vida na sua... como poderia o diabo colocar em seu caminho, alguém que se parece tanto com um anjo quando sorri para você ? Anjo, me diga  ... Quanto tempo eu andei? Porque nem ao menos isto eu percebi, talvez porque na realidade, eu não lembre ao certo em que momento eu parei aqui, diante de você, e se eu conseguisse saber em qual momento me deixei vislumbrar por seus olhos, eu saberia quanto tempo andei... Porque o passado nunca me foi tão atraente, mas eu acredito que em algum momento eu precise voltar atrás, de volta ao caminho, aquele que desvia-se diante de sua presença... A quanto tempo estou parada ? Encantada com o seu brilho, eu nunca me senti tão presa ao chão, porém tão leve para flutuar, e eu desejo que me envolva em sua asas, e me leve com você, me envolva em suas grandes asas e me deixe voar até a sua realidade tão distante, eu acredito no seu sorriso, e eu adoraria que soubesse que eu adoro o jeito como sorri, mas como voar contigo, se nem ao menos você sabe como sair do chão, anjo preso a dor, com o triste peso cor de cinza em suas asas, não chore querido, não chore esta noite,  apenas venha comigo, deixe-me arrancar-lhe as asas, porque o sangue talvez seja um tanto mais leve que as dores que elas carregam, deixe as lágrimas secarem agora, apenas segure em minha mão, não tenho asas para lhe oferecer um voo, mas não irei te deixar só na caminhada



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