domingo, 17 de maio de 2015




Ele poderia nem se importar, mas por dentro, ela estremecia toda só em imaginar tê-lo algum dia. Parecia absurdo, mas sonhar em tocá-lo, senti-lo, amá-lo ... Era quase enlouquecedor, mesmo que tudo isso fosse por algumas minutos, horas, dias... Mais que isso, ela nem ousava sonhar, era impossível. E a única possibilidade existente em realizar isso, a fazia a pior vilã que poderia conhecer.
 Era loucura mesmo, e ela estava completamente louca, por ele e por todas as sensações que lhe causava. O perigo, a adrenalina, e ousadia... Ela parecia alimentada e manipulada por aquele jogo, um jogo altamente envolvente, no qual ambos os jogadores conheciam muito bem suas táticas e as táticas um do outro. Um jogo onde talvez ambos ganhassem e perdessem ao mesmo tempo. Era um jogo, e os dois sabiam disso, e ainda assim queriam jogar. Ele era sua maior fraqueza, seu maior erro, sua maior tentação, e seu pior pecado. Ele conseguia ser tudo isso apenas em um pensamento, e parecia ainda mais absurdo, saber que ambos compartilhavam desse pensamento, absurdo e louco. Ele era sua Kriptonita, veneno doce, daqueles que se bebe aos poucos só para tornar a morte mais lenta, lenta para apreciar cada último segundo que se resta. Era como se ela estivesse na beira de um abismo, e lá no fundo ele lhe estendesse a mão, ela sabia que jogar-se poderia matá-la, mas morria só pela vontade de alcançá-lo.

terça-feira, 12 de maio de 2015


As vezes, a cabeça dela se esvazia de consciência e se enche de pensamentos aleatórios e vazios, tão vazios quanto ela sente-se as vezes. E nessas tantas vezes, ela parece esquecer de todos os motivos que fizeram ela chegar até aqui... ela continua de pé, ela ainda respira, anda, dorme, sente. Mas na realidade?  Ela não sente mais. E as vezes nem ao menos sabe dizer se vive, ou quem é... Pois é, ela não sabe mais quem é, não reconhece a imagem no espelho, não ouve mais nem os próprios gritos que ecoem por dentro dela, ou disso que ela mostra ser.


 Uma falsa força, uma falsa falta de sentimentos... Apenas uma garota que ainda não aprendeu a agir como uma mulher.
 As vezes, ela parava no tempo, olhava ao redor e observava todas as pessoas que lá estavam, as que sorriam, que choravam, que abraçavam, que vivam junto dela, e era olhando pra essa multidão que ela sentia-se sozinha... Estranho não? Quanto mais gente lhe rodeava, mas sozinha ela parecia estar, sozinha e perdida... dentro dela mesma. Procurava motivos para continuar de pé, para não abandonar-se pelo caminho, já tão cansada de andar sem rumo por aí, apenas parar e descansar... Talvez o mais profundo dos descansos, o mais doce, ou mais amargo... Quem realmente sabe? Ninguém! Nem ela saberá, pois as vezes não sabe se continuar tentando é mesmo um ato de coragem, ou um ato de covardia, de não saber reconhecer qual é o limite, ou onde encontra-se o fim. Talvez ela estivesse realmente era fugindo, fugindo de dar explicações , cujas ela nem ao menos tem para si mesma; Estava tão cheia de sentir-se vazia, e tão vazia que isso a enchia... Na realidade ela nunca soube se explicar, e nunca soube se realmente queria fazer isso. Agora, olhando tudo, permanecer em silêncio e trancada no seu mundo, parecia ser o mais confortável.
Quanta loucura pode caber em um simples olhar ?
Talvez antes essa pergunta lhe parecesse absurda, mas agora sabia que talvez, um simples olhar pudesse tornar toda uma existência insanidade. Guardou por tanto tempo sua verdade inconsequente, e agora por ainda mais inconsequência deixou-a escapar... Onde estava com a cabeça?
 Parece que esse é o eterno ciclo de sua vida, colocar-se em lugares de onde ninguém pode tirá-la, as vezes nem ela mesma. Colocar-se lá por sua própria impulsividade, por sua necessidade de experimentar o erro antes de atestá-lo por errado.