terça-feira, 30 de dezembro de 2014


Ela adora escrever sobre romances... Ela não tem nenhum romance que possa descrever agora. Então resolveu falar de si mesma.


 Uma garota boba! Está aí uma afirmação que passa longe de ser necessária para quem a conhece. Ao menos superficialmente. Ela sonha demais, ri demais, fala demais, brinca demais, canta demais, ama demais... Faz tudo exageradamente, como se a qualquer momento algo lhe pudesse tirar qualquer uma dessas coisas, e precisasse ter a certeza de que fez tudo o que podia. Ao mesmo tempo, ela passa horas imaginando, supondo, calculando tudo, mesmo quando sabe que talvez não siga nenhuma dessas suas medidas. Ela é uma contradição. Quando todas as suas experiências deveriam torná-la fria, calculista, medrosa, e desacreditada, ela simplesmente se mostra ainda mais corajosa, impulsiva, esperançosa...e  porque não dizer, louca!
É isso mesmo, só pode ser loucura. Ela ainda sonha como uma garotinha de 15 anos, fantasia e idealiza a felicidade, o amor... Ah o amor, ela o descreve com uma perfeição que ela mesma nunca chegou a conhecer, e ainda assim acredita na sua existência, e espera por ele... Ela já decepcionou sim, e sabe disso. E não faz um pingo de questão de que alguém acredite no contrário, não se importa que saibam quem é, como é... Ser amada? Quem não quer? Mas quer que amem a ela mesma, a sua essência, por mais estranha e sem noção que possa parecer as vezes, quer a liberdade de não ter que fingir, quer mais que ser completa, completar alguém. E tantas e tantas vezes já foi decepcionada... Adoraria saber fingir, as vezes sim. Porque quando se é transparente demais, a probabilidade de chorar se torna ainda maior. Quantas noites em claro? quantas gotas derramadas?  Naquele momento não importava, isso seria recompensado um dia. Ah sim, seria. As vezes era imatura, para sua idade ao menos... E ainda assim conseguia agir com a maior maturidade do mundo quando necessário. Ficava surpresa com o dom de ajudar os outros, e de se alto complicar. Era uma menina e ao mesmo tempo uma mulher, doce e amarga, séria e descontraída, sã e louca... Era feliz, e isso bastava, mesmo quando sentia-se a mais triste do mundo. Particularmente, se achava exagerada, e as vezes até incomum. Costumava reparar em coisas que ninguém mais reparava hoje em dia, tinha gostos peculiares, e por mais moderna que fosse, levava dentro de si um pensamento "cafona" para certas coisas. Cheia de manias e falhas, cheia de medos. E ainda assim arriscava, ousava. Sabia de uma coisa... Por mais que falasse de si mesma, por mais que lhe conhecessem, ainda tinha a impressão que nunca saberiam quem ela realmente é.

Reflexão


Ela continuava ali. Por algum motivo que ela mesma desconhecia, continuava de pé, segurando-se dentro de si mesma para não desmoronar. A vida lhe tinha sido dura e fria muitas vezes, mas ainda assim ela continuava a levar consigo uma esperança tão grande, que chegava a lhe parecer loucura. Como continuar sonhando, quando a realidade só faz machucar? Ela perguntava-se isso repetidamente... Ao menos até hoje pela manhã. 

 Parar para observar as coisas ruins ao nosso redor se tornou tão natural e crucial, que as coisas boas passam desapercebidas, das mais pequenas até as maiores.Paramos para pensar nas contas a pagar, nas tarefas a realizar, nas conquistas não alcançadas, nas decepções, tristezas, miséria, dor... falamos tanto, que parece que todo o mundo é feito apenas disso, dessas falhas que são tão nossas quanto dos outros, mesmo que na grande maioria das vezes nós venhamos a acusar mais que admitir. Reclamamos tanto, que esquecemos de agradecer ao fato de ainda estarmos aqui... Vivemos uma vida cega, onde o maior erro está naquilo em que focamos. Somos seres tendenciosos, e essa tendência nos leva a reparar nas coisas quais quais somos cheios, as coisas que nos fazem.
Quantas vezes paramos para reparar na imensidão do céu, e no quanto somos pequenos? Mesmo quando chegamos a pensar que somos tão grandes e capazes.
Quantas vezes sorrimos para alguém, simplesmente pela doçura de demonstrar companheirismo? Um sorriso muda tudo.
Quantas vezes tentamos corrigir nossos próprios erros, antes de apontar o do próximo ? Ou quantas vezes perdoamos as falhas alheias? Sabendo que desejamos ser perdoados um dia também... 
Hoje pela manhã, uma pequena de alguns meses sorrio para mim... E de algum forma estranha ou louca, eu senti que ela precisava que eu acreditasse nessa esperança que trago comigo.


Dentro dela as coisas estavam confusas, havia uma multidão de pensamentos e sentimentos empilhados, pedindo para serem organizados, guardados... E quem sabe até descartados. Estava mais um vez diante de um recomeço. Dizem que o amor e a amizade, assim como todos os outros sentimentos, são uma via de mão dupla. Aquela altura do campeonato não me admirava que ela se questionasse quanto a coerência dessas afirmações, afinal... Justo ela que tentava dar o seu melhor o tempo todo, acabava saindo machucada de alguma forma. E quantas vezes compreendeu, mas não foi compreendida, amou e não foi correspondida, ajudou, porém foi abandonada... Tinha certeza apenas de uma coisa. Nunca poderia exigir perfeição das pessoas que estão na sua vida, pois é justamente isto a única coisa que não poderia retribuir. E aprendeu há muito tempo, que não temos o direito de fazer cobranças sobre coisas que nós mesmo descumprimos. Talvez o maior erro dela, seja não saber se entregar pela metade, ser por inteira o tempo todo e em tudo. E se tem uma dúvida que lhe ronda dentre muitas, é justamente essa:  - Isto lhe faz ser mais forte, ou mais fraca ? E sem uma resposta concreta vive sua vida assim, oscilando entre ambos, julgado e exigindo de si mesma, pois fazer isso com os outros não a levará a lugar nenhum. Ela melhor que qualquer um conhece as suas próprias imperfeições.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Mais lembranças.


Ela estava com saudades dele. Era isso mesmo, e não havia outra explicação. Estava com saudades dele mesmo, do seu jeito, do seu sorriso, de suas brincadeiras, da sua voz, da calma nos seus olhos... Por incrível que pareça, não estava sentindo falta apenas dos beijos, dos abraços, dos carinhos. Esses também lhe faltavam, e a falta que faziam era enorme. Mas se pudesse ter alguma coisa de volta, contentaria-se com tê-lo apenas. Ter as conversas, as palhaçadas, as implicâncias. Ele era incrível, ela não cansava de repetir isso. Parada ali, estava relembrando o passado, um passado recente, que tinha um enorme peso de distância. Agora, lembrar dele não estava lhe trazendo sorrisos, não estava lhe deixando em paz, não estava lhe deixando leve... As lembranças agora enchiam seus olhos de lágrimas, lhe atormentavam, pesavam em seu peito. Como podia?  Era a mesma pessoa, e lhe causava dois estados tão diferentes. Relembrava o dias que passou ao lado dele, as conversas que tiveram, as ideias. Lembrava dele sentado à mesa da cozinha, enquanto ela estava na pia, ou de ambos lá fora sentados, rindo dela mesma e de sua "humildade", recordava das chantagens, das promessas... E em sua mente lhe passava todo o cuidado que tinha para não decepcioná-lo, e agora parecia-lhe que foi tudo o que conseguiu fazer. Ainda não entendia como em tão pouco tempo as coisas haviam mudado tanto, agora não havia mais a inquietação para que os dias e as horas passassem e ela pudesse sentar-se junto a ele na casa de algum dos dois, para que pudessem passar algumas horas juntos. Ele tinha o dom de fazer o tempo correr, e ela adorava perder a noção de tempo junto dele. Não era nenhum incomodo ouvi-lo, olhá-lo, admirá-lo, esperar por ele. Ela o fazia com prazer, mesmo antes de se envolverem daquela forma, estar com ele já era um presente, e ela não pode negar o quanto tudo aquilo havia mexido e marcado sua vida. Ele que quebrou as grades e derrubou os muros dela, e tudo o que havia sobrado foram as ruínas. Irônico... 
Ela sempre sonhou com um amor avassalador, mas até agora a única coisa que lhe avassalava na vida, era a dor.


Inquieta...


Sabe aquela sensação de leveza incrível que eu vivia descrevendo ? Pois é, ela se foi. E deu lugar a um vazio tão pesado, que me traz a exaustão só de respirar... Porque dessa vez precisava ser tão difícil ? Justo agora que para mim as coisas pareciam tão mais simples. 

Hoje é mais um daqueles dias, nos quais eu acordo porque preciso acordar, e porque chega um momento em que até mesmo o sono lhe falta. Daí após muito tempo de olhos fechados, tentando dessa forma conseguir alguma maneira de escapar do mundo real, você abre os olhos e fica encarando o nada, com uma interrogação enorme em sua mente, procurando uma boa explicação para ainda estar ali, mesmo quando não se parece ter motivo nenhum para dar continuidade a isso... Hoje, ela só queria se esquecer de tudo e sorrir, como estava sorrindo há alguns dias atrás, sem nenhum bom motivo, apenas pela vontade de sorrir que lhe vinha de dentro, uma ansiedade e euforia sem limites ou tamanho. Uma inquietação boa o suficiente para transformar os eu dia, e uma certeza que ela não sabia de onde vinha... Certeza essa que se foi, junto com os sorrisos, a euforia, a leveza, e todas as outras coisas boas que você me trouxe, porque até mesmo você parece ter ido embora, e no fundo, eu me acuso de ser culpada por tudo isso. E agora, a angústia me brota junto com a inquietação e o medo me faz companhia. Não há como esquecer seus próprios defeitos, quando eles se mostram a todo momento e lhe tiram as pessoas importantes, não há como deixar os seus erros ou o passado para trás, quando eles insistem em se repetir e se refazer em sua vida. É engraçado, como na grande maioria das vezes, a dor maior vem do fato de você saber, que talvez, só talvez, você pudesse ter evitado tudo isso, mas infelizmente, não conseguiu.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Leve ...

                                    

E esse monte de suspiros que não cessam ? A sensação de leveza e inquietação dentro do peito... Ela está feliz. Mas nem precisa dizer isso, porque parece que todo mundo que a conhece realmente percebe o sorriso frouxo que lhe vive agora escapando pelos lábios. Ela não sabe em que momento isso começou, tudo isso, toda essa história enrolada que desenrolou ela de seus problemas, não sabe e as vezes não está nem um pouco interessada em saber, lhe faz bem, como há muito tempo nada lhe fazia, e agora está assim, leve e sorridente, contando minutos para exceder ainda mais... E que sensação era essa ? Que efeitos são esses ? As vezes ela mesma se surpreende, se questiona... Tão pouco tempo, 15 dias. E o seu mundo sombrio , triste e cheio de lágrimas e arrependimentos, agora mais parece um jardim ensolarado esperando os momentos de ver nascerem as flores... Ela é sonhadora demais, não é ? E até hoje realidade nenhuma foi capaz de fazê-la acordar.
 Não tinha muitas escolhas, além de continuar parada como se encontrava antes, esperando que a sua própria amargura lhe matasse por completo, ou ir... Para onde ainda não se sabe, mas até agora tudo isso tem lhe levado a algum lugar distante da dor que tão bem já conhecia, o destino final poderia ser desconhecido, mas ao menos havia a esperança, a esperança que antes lhe faltava.