Esta é a história dela, uma garota como qualquer outra, normal e simples, e ainda assim a mais anormal e complexa de todas, é a história dela.
Era estava livre, ao menos era assim que se sentia, livre e leve. Desta vez havia colocado tudo no lugar dentro de si, pela primeira vez não tinha dúvidas, menos, receios, arrependimentos, planos... Não tinha nada além da certeza de que estava tudo bem, e que continuaria assim. Estava de pernas pro ar, só que dessa vez, não pelo fato inoportuno de seu mundo viver de ponta cabeça, mas sim porque havia decidido relaxar, sem todos os traumas a que vivia acorrentada, agora era livre. Mas esta liberdade tinha um nome, um nome, um sobrenome, um endereço, umas manias, uns defeitos, um olhar, um sorriso, uma voz... e umas qualidades, incrivelmente únicas, que faziam ser a coisa mais engraça do mundo, e ao mesmo tempo era mais sensível, mais doce, mais tranquilo, mais terno, mais meigo, mais puro, que qualquer outro ser. Ela estava perdida e salva, por um alguém que talvez nunca fosse seu, um alguém que ela queria com todas as forças pra ela, e ainda assim não se atrevia em tentar prendê-lo, não se achava no direito, queria vê-lo sorrir, aquele sorriso bobo, que vinham sempre depois das piadas idiotas... E ela sabia que era nisso que via beleza, a de dentro ainda conseguia ser maior que a de fora. Ele era seu amigo, seu amor... E ela sempre quis isso mesmo. Não era um namorado que ela buscava, não era o garotinho prodígio, o perfeito, cheio das qualidades que exibia como um troféu. Ela não queria o mais forte, o mais perfeito, o mais centrado, o mais inteligente, o mais nada... Mas ela sabia que ninguém entendia isso, e no fundo doía ver todos se decidindo pelo que ela tinha de fazer, ela queria mudança... Ela decidiu se realizar.
Ela queria alguém pra estar sempre ali, um amigo, um sorriso, um ombro, um alô talvez... Ela queria o mais sincero, aquele que não esconde os defeitos, aquele que se aceita como é, que fizesse com que ela aceitasse a si própria também, que levasse sua dor, sua vergonha, sua desconfiança, seu medo... Que levasse tudo isso embora, por ser como era, único, fiel a si mesmo, ela queria alguém que não a julgasse quando ela caísse, mas que mostrasse que caía também, pois ela não queria alguém para levantá-la, queria alguém que se levantasse junto com ela a cada dia, e era por tudo isso que ela estava ali naquele momento, passando por cima dos planos que cultivava durante tanto tempo, mudando o rumo do seu futuro, indo contra as leis que toda a vida acreditou. Era por se sentir daquele jeito, o jeito que almejou se sentir durante toda a vida, e pelo único medo que existia enquanto estava na presença dele, era o medo de deixá-lo ir, sem fazer aquilo que tanto havia desejado... Desejado antes em algum momento, que desejava agora, com ele. Ela poderia dizer que teve forças pra ir em frente, mas, foi muito mais que isso naquele momento, porque não era uma luta, uma guerra que se travava, não era essa a sensação dentro dela, porque se em outros momentos de sua vida o seu interior se dividia em opiniões, naquele momento, em seus braços, tudo o que havia em seu ser pedia por ele, e com toda a paz, tranquilidade e harmonia, ela se deixou levar pelo sentimento dentro dela mesma, maior que qualquer desejo inflamado. E dos outros braços, em quantos se sentiu assim ? e dos outros olhos, em quais viu tamanha confiança? E dos outros gestos, em quais percebeu maior cuidado ? E a cada pergunta que se fazia, menos ainda havia a possibilidade de se arrepender... Pois em nenhum, em ninguém, nunca esteve tão completa... Era ela mesma, não fragmentada ou alterada, era ela, e ele a aceitava, e cuidava assim mesmo, do seu jeito... E cada vez que o olhava, o único desejo que tinha era de continuar ali, em seus braços, rindo das piadas, das idiotices, ouvindo ele falar de tudo que amava, e amando cada gesto por tamanha simplicidade. Tinha certeza que ele sabia se cuidar, mas ela desejava a cada dia ainda mais, cuidar dele, protegê-lo, mostrar o quanto estava disposta a enfrentar essas coisas que chamam de problemas, o quanto o aceitava tão incondicionalmente, queria dizer pra ele mesmo sem palavras o quanto o queria, mesmo que ele não quisesse a ela na mesma intensidade, ela só queria estar ali e provar pra ele que por mais que conseguisse mentir tão friamente, ela nunca se sentiu tão sincera, como se sentia com ele...
Ela confiou, ela simplesmente fez o que queria fazer, foi uma decisão tão dela, e ela estava orgulhosa disso.
Ela confiou, ela simplesmente fez o que queria fazer, foi uma decisão tão dela, e ela estava orgulhosa disso.
-Talvez aquela fosse a maior loucura da vida dela... Mas ela não sentia medo, afinal, quem disse que a felicidade é totalmente sã ?
Ela não queria mais ninguém, não era algo pra aproveitar a partir daquele instante, não pretendia mais entregas, não buscava o prazer... Queria apenas se completar, se libertar, se sentir, e não via isso em mais ninguém, não poderia ser mais ninguém,era apenas ele. E ela estava bem assim, e se tudo acabasse agora, sem chances pra uma outra vez, ela estaria bem, e se guardaria de novo, até quem sabe se sentir assim novamente, até quem sabe o que pudesse acontecer...
Ela agora irá levar isso pra sempre, e no fundo isto a acalmava, se antes sabia que não haveria como esquecê-lo, agora tinha ainda mais certeza que o levaria sempre com ela. E não apenas por tudo o que havia acontecido naquela noite, mas por todas as coisas daqueles últimos dois meses, ela estava feliz, e agora sim ela sabia.





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