Simplicidade.... Por algum motivo bobo, hoje em um dos meus "passeios" a Cavaleiro, me vi observando as coisas e pessoas ao meu redor, e como de costume, falando comigo mesma sobre o quanto o ser humano é um ser complicado por natureza. É simples, ou talvez não... Mas vivemos rodeados de tantas e tantas tecnologias, artifícios, engenhocas... Coisas feitas e programadas para facilitar e simplificar a nossa vida e dia-a-dia, coisas que as vezes são ainda mais complicadas de utilizar que a forma convencional dos feitos, nos rodeamos de nada e nos esquecemos de tudo, a busca eterna pela felicidade, uma felicidade complexamente simples de se fazer presente. Quantos pequenos detalhes coloridos sorriem para nós diariamente, sem que percebamos suas presenças? Quantas chances de segurar a felicidade pela mão e caminhar com ela nos aparecem diante de nossos rostos? Tudo isso faz parte daquele conjunto de perguntas que não há como ser respondido, porque nem ao menos chegamos a notar esses acontecimentos, ainda mais como contá-los. Ser feliz vai muito além da nossa compreensão pequena, pequena e falha, do que é perfeição, do que é ser importante. Passamos uma vida tentando construir coisas das quais não iremos usufruir, coisas com as quais perderemos tanto tempo, que não haverá mais tempo para desfrute. Deixamos passar um olhar, um sorriso, o céu, a natureza, a amizade, o amor, a inocência... Tudo se vai, se perde, se some, diante da quantidade excessiva de normas, que decretam qual deve ser o foco do ser humano, somos treinados desde pequenos para enxergar apenas um lado da vida, e deixar que o outro morra abandonado pelos cantos. Alguns escolhem um lado, outros escolhem o outro, tudo depende de cada um como ser individual e único. A escolha é absoluta e unicamente nossa, não importando o que digam ou façam os outros, e a cada dia que se passa eu só tenho mais e mais certeza em relação a esse livre arbítrio, pelo que vivi, pelo que escolhi viver, pelo que hoje vivo... Para mim é simples, o segredo não está em uma escolha, de qual lado da vida seguir, de a qual coisa dar importância, o segredo está na conciliação, no balanço, em saber dividir, administrar... Em resumo, saber aproveitar cada oportunidade como única que é, olhar para as coisas lhe dando sua devida importância, cuidando do hoje, pensando no amanhã, e buscando superar o ontem, com sabedoria antes de força, com fé antes de atitude, porque a ordem é essa, antes vem a luta e depois a vitória. São nos pequenos detalhes que se vê a beleza verdadeira das coisas, num bebê sorrindo, numa flor recém brotada, numa chuva que cai... Nas mil e uma formas de perceber Deus nos dizendo - Filho, Eu sou todo poderoso, Eu tudo faço. Eu tudo posso. e É tão simples que chega a ser complicado, porque tudo isso é fácil demais, está ali, diante de nossos olhos, ao nosso alcance, porém toda a dificuldade é levantar-se e mudar, simplificar...O ser humano é mesmo complicado, mas ser feliz, é muito simples.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
O doce sabor do limão.
Ao longo de nossas vidas, poucas são as vezes em que paramos para observar o mundo... Talvez pelo próprio corre corre ao qual estamos fadados a viver dia após dia, talvez porque muitas vezes, observamos tudo o que há de ruim ao nosso redor, mas esquecemos das coisas boas. O fato é que, não importa realmente qual seja o motivo, mas no final, todos nós passamos anos e anos correndo contra o tempo, e lutando contra um monstro invisível criado por nós mesmos. Felizes aqueles que conseguem em algum momento refletir, seja qual for o momento, num banho, antes de dormir, durante uma viagem... Isso é um bom sinal, sinal de que não foram totalmente tragados para dentro do buraco negro que é a monotonia, mas infelizmente, existem aqueles que já estão cansados demais para pensar antes de pegar no sono, atrasados demais, para não tomar um banho automaticamente calculado, preocupados demais, para fazer qualquer tipo de viagem em paz. Para esses ? Para esses eu desejo muita sorte, e quem sabe uma pitada de amor próprio, porque pode até haver quem discorde, mas para mim ao menos, deixar que tudo que está ao nosso redor passe assim, desapercebido, sem importância, sem sabor... É deixar que o amor por si mesmo se vá, junto com todas as oportunidades de felicidade que apareceram nos anúncios imperceptíveis das situações. Pode até ser filosofia demais para um sociedade tão acostumada a tragédia e dor, mas parando para pensar de verdade, quantas e quantas vezes nós nos pegamos reclamando da vida, das situações, dos problemas, incapazes de reconhecermos que foram nossas próprias atitudes e escolhas que nos fizeram chegar até onde estamos, seja no pedestal, ou seja no chão, somos nós mesmo que decidimos, consciente ou inconscientemente, porém... Quantas vezes paramos para agradecer ? Reconhecer as coisas boas que nos acontecem, os pequenos detalhes, aqueles que realmente fazem a diferença, os que realmente mudam alguma coisa. As pessoas me perguntam - Por que " O doce sabor do limão" ? Isso é tão complexo... Sabe, eu gosto de chupar limão ( eu e minhas lindas manias estranhas ), é legal sabe, quanto mais azedo é o limão, mais doce ficará a sua boca, de um modo que após o limão, até a água parece mais saborosa... Foi pensando nisso que dei o nome ao blog. Porque a vida é cheia de momentos assim, azedos, mas são eles que fazem os momentos doces, porque se não fossem as lutas, não haveriam as vitórias. Sem contar que tudo que acontece nessa vida, tem um lado positivo, então porque focar nas coisas ruins ?
No início, eu escrevia aqui textos surgidos do nada, depois, passei a escrever aqui os meus sentimentos do momento, algumas vezes, descrevia experiência pessoais de forma lúdica, e daqui em diante só Deus sabe o rumo que tomarei escrevendo. A questão é que adoro escrever, é uma das minhas características, algo que faz com que eu seja eu, diferente de outras, e hoje isso me deixa feliz, feliz por ter uma identidade própria, uma essência que pode ser criticada ou não, mas isso não fará com que deixe de ser minha, descobri ao longo do tempo, que apenas eu posso dizer quem sou, serei, ou deixarei de ser, isso é o livre arbítrio, a liberdade que muitos enganam-se dizendo não ter, numa busca desenfreada de justificar suas atitudes e escolhas. Aprendi a aceitar quem sou, observar meus defeitos como coisas que podem ser trabalhadas, e não me contentar com o que posso fazer hoje, mas buscar melhorar todos os dias, aperfeiçoando minhas qualidades, só assim pode-se encontrar a felicidade, a satisfação, aceitando-se, amando-se, colocando Deus na frente de tudo e indo. Indo em busca do doce sabor que há no limão da vida.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Distância.
Com Guns começou e com Guns terminará... Bem nossa cara não é ?
Eu adoraria que estivesse aqui agora, adoraria sentir seu toque pela ultima vez, as batidas do seu coração como quando nos abraçávamos, mas esta despedida terá de ser assim, sem abraços, sem ultimo olhar ou toque, sem palavras finais. Cada um vai seguir pro seu lado, você muito bem e sem marcas, e eu com parte de você comigo, a parte da qual não consegui me livrar até agora. Não há muito o que dizer quando se olha para esse trecho da música, é bem isso mesmo, não tem como esquecer os momentos que passei com você, os como simples amigos, colegas, desconhecidos, algo mais... Nenhum deles há como apagar, e eu vou continuar pensando em você, aqui ou onde estiver. Eu adoraria que me pedisse para ficar, que me envolvesse novamente, que me pedisse simplesmente para esquecer tudo e recomeçarmos, tentar mais uma vez, eu esqueceria tudo, por você, eu faria tudo melhor, quem sabe assim não desse certo ? Mas você nem ao menos sente minha falta, e já deixou claro o quanto quer que eu te esqueça. E mais uma vez, eu me pergunto - Por que não pode me levar com você ?
E mais uma vez, não haverá resposta... Eu espero que esteja bem, que esteja feliz, espero que tudo dê certo para você e que nunca esqueça o quanto foi importante para mim. Não há muito o que dizer, porque minhas palavras não são suficientes para convencer você, e mesmo que eu te dissesse tudo isso, creio que e nada adiantaria, e se é assim que você é mais feliz, longe de mim, eu vou me adaptar a manter minha distância... Eu nunca pude te dizer pessoalmente, e pela ultima vez me atrevo a escrever... Amo você!
sábado, 7 de junho de 2014
Letras e notas.
Ela havia lido nos livros histórias de anjos de grandes asas, anjos arrebatadores, inquietantes, cheios de vida e ao mesmo tempo de morte, anjos cujas asas levavam consigo um pouco da escuridão, acinzentadas, enegrecidas... Anjos cujos olhos devoravam qualquer alma, decifravam qualquer pensamento e atiçavam toda a imaginação, de vozes suaves, misteriosos, intrigantes... O tipo de anjos que só poderiam existir em livros mesmo.
Ela havia ouvido músicas que falavam de anjos, anjos que carregavam dores, anjos cujas asas haviam sido arrancadas, perdidos, sozinhos... Mas que em algum momento buscavam achar em alguém a vida que lhes faltava.
Naquelas páginas e notas ela encontrava a fuga da realidade, o sonho mais bonito, até ele aparecer em sua vida, e transformar o lúdico em real, e misturar a fantasia em sua mente, como talvez nunca pudesse ter sido feito antes... Ela estava diante do seu anjo, o anjo de grandes asas, o anjo dos livros e músicas, o que arrebatava, inquietava, o mesmo que a trouxe a vida e a levou para voar consigo, e logo depois a soltou no chão, o dono dos olhos devoradores de alma, que lhe decifrava pensamentos e lhe acordava a imaginação, o dono da voz rouca e suave que lhe causava arrepios, cheio de mistérios, trancado no seu próprio mundo, ele também carregava dores em suas asas, estava sozinho, perdido talvez... perdido em si mesmo, em seu mundo impenetrável, e mesmo assim ela o quis, o quis para si, para descobri-lo, voar com ele ela deixou o medo de lado e simplesmente foi, voou o mais alto que poderia ter ido, voou sem os olhos fechados, e ainda assim tem a sensação de não ter ido alto o suficiente. Mas agora este anjo estava diante dela, em carne e osso, não nos livros, não nas músicas, ele a olhava, a tocava, a sentia, e ela podia senti-lo também, sentir seu cheiro, seu gosto, sentir as batidas do seu coração contra seu peito enquanto estavam juntos, tão vivo e tão morto... Ele era a música e a fantasia, o conto... Encontrava nele o que buscava quando se refugiava em suas tristes melodias, nas páginas de seus livros, ele não tinha noção do valor que isso significava, ou talvez tivesse... E por esse motivo quem sabe, seu anjo bateu suas grandes asas para longe, levou consigo seu calor e seus mistérios, lhe deixou com um gosto de insatisfação por entre os lábios, queria mais de tudo aquilo, mas agora só oque lhe restava era a sensação de um dia ter estado em seus braços...
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Adeus... Essa é pra você.
Você alguma vez já precisou velar pela morte de alguém ainda em vida? Chorar, sofrer, se despedir como se essa pessoa nunca mais fosse voltar pra sua vida, tendo a plena certeza que de que irá saber dela todos os dias, e a verá quase sempre...
Você já se viu perdido? Andando em círculos que nunca acabam, cheio de perguntas as quais não existem respostas, pelo menos nenhuma resposta concreta de verdade....
Você já se viu sem ninguém? Cheio de pessoas ao seu redor, mas tendo a plena certeza de que não estavam ali por você, que talvez quando precisasse ou estendesse a mão pra pedir ajuda, talvez todos realmente sumissem do seu lado...
Você já se sentiu preso? Preso numa lembrança, num sonho, numa vontade, numa esperança, numa idiotice, num lugar... Preso em um sorriso, em um olhar, daqueles que parecem que nunca saíram de sua mente confusa e pequena, daqueles que parecem dominar você intensamente... Eu poderia prosseguir aqui, cheia de perguntas sobre como você já pode ter se sentido um dia, mas na realidade, estou falando de mim mesma, de como me sinto agora, neste momento, de como me sinto em relação a você, e tudo o que representa, significa pra mim, porque tudo isso é sobre você, é por você, é para você, e eu já desisti de tentar lutar pra sair daqui, porque é tipo uma poça de areia movediça, quanto mais eu me mecho, quanto mais luto, mais afundo, e eu simplesmente me rendi agora, para que as coisas aconteçam no tempo que tem de acontecer, porque eu sei que vou te esquecer um dia, não posso ficar com você para sempre em minha mente, e eu voltarei para o começo, sem cometer os mesmo erros passados, eu passarei longe de você, em silêncio e sem chamar atenção. Enquanto isso ? Bem, enquanto isso eu fico aqui, sem derramar nenhuma lágrima por mim, firme, mesmo quando seus olhos param diante de mim, mesmo quando me olha e parece me enxergar por dentro, como quando me olhava antes, seguido de um sorriso sarcástico que parecia dizer - Eu sei no que está pensando, sei o que sente.
Mas agora, o seu olhar não vem mais acompanhado com um sorriso, e mais ninguém saberá de toda a nossa pequena história, aquela na qual eu acreditei que estava te fazendo feliz, a mesma em que você dizia que minha loucura parecia com a sua... Não haverá mais uma viagem para Roma, não irão haver discussões sobre quem pagará as passagens, e toda a surpresa que eu havia pensado pro seu aniversário...Eu não sei em que momento em baixei a guarda, eu juro, juro que não planejei nada disso, eu nunca quis te magoar, atrapalhar... Nunca quis te perder, mas eu perdi, tão inesperadamente quanto pensei que houvesse ganho. Adoraria poder voltar no tempo, eu não te ligaria pela madrugada, nós não nos tornaríamos irmãos por parte de nossa pandice, não haveria leitura de poesias pela madrugada, sem viagens imaginárias, não haveria um jantar a luz de velas, ou uma falta e excesso de sal, seriamos apenas você e eu, e uma troca de " Oi's " educados, eu continuaria sendo apenas a garota que derrubou dois litros de Fanta na primeira vez que você a viu, e você seria apenas o visitante que me viu pagar um mico... Talvez agora eu ainda pudesse sorrir pra você, mas eu não posso voltar não é? Não existe aquele botãozinho que vai me fazer concertar tudo. Sabe o que eu queria? O poder de um cupido, ter flechas mágicas que fizessem as pessoas se apaixonar... Não, eu não iria atingir você, não que eu não quisesse que você me amasse, sim sim, eu adoraria, adoraria ser a dona dos seus olhos, o motivo do seu sorriso, ser um ponto de paz, um abrigo, uma amiga, cúmplice, mas eu queria tudo isso honestamente, de verdade, que simplesmente me amasse como sou, a garota boba, que você chamava de dodói e arrastava pro seu sofá... Eu atingiria ela, faria ela te amar, assim como você é, desejar cuidar de você, te proteger, estar ao seu lado. Eu só queria te vez feliz, só queria poder tirar toda essa dor que você leva dentro de si, essa que as vezes grita nos seus olhos, e me dói tanto não poder nem ao menos te abraçar.
Eu não pude me despedir, eu nunca pude, foi tudo tão rápido, eu perdi o controle de tudo, eu perdi tudo. Eu amo você, com todo esse seu jeito, todas as crises, as loucuras, os defeitos, as qualidades, você, como é, sem tirar nada que pudesse te fazer ser alguém diferente... Me perdoa ? Porque eu não consegui impedir isso de acontecer, não fiz o que você pediu, não controlei meus sentimentos. Não importa o que eu ouça sobre você, nada nunca vai me parecer mais real do que aquele garoto que eu conheci, o que me lambuzou daquela tentativa de brigadeiro, o que adorava ver novela, o mais doce, carinhoso, engraçado, o que eu tanto admirava por ser tão inteligente, tão cheio de opinião, o que eu dizia ter um caso de amor com meu nariz, que se juntou com minha mãe pra me zoar, o que me beijou no milkshake ... Eu não consigo mais, não consigo mais lembrar de nada disso, eu luto dia após dia pra esquecer cada momento contigo, pedindo a Deus pra levar tudo isso embora, e me perguntando se pra você realmente não passou de um erro, Sim, foi um erro, porque fizemos tudo errado, mas naqueles dias, naqueles momentos, eu fui a mais feliz. Obrigada! Talvez você nem se lembre, mas na igreja, enquanto conversávamos você me perguntou porque eu não apareci antes... Eu adoraria ter aparecido antes, de verdade, quem sabe eu não conseguisse ter te feito feliz, quem sabe? Eu adoraria ter estado com você desde o começo... Adeus.
Anjo
A quanto tempo eu tenho andado ? Meus pés cansados pararam de sentir a muito, desde antes de meus sonhos doloridos ficarem pelo caminho, eu estava apenas seguindo, o vento talvez, ou o que me empurrasse com mais força, a qualquer direção, apenas sendo guiada por não ter mais um destino certo, eu não estava sem escolhas, porém não via nenhum motivo que me levasse a escolher algo, ao menos algo que me tirasse do lugar onde eu estava... Talvez a esperança fosse um lugar, um desses nos quais descansamos para enfrentar outra longa caminhada, e eu não ousava olhar para trás, o passado nunca me pareceu mesmo assim tão atraente, eu continuei apenas. Mas o futuro é algo mesmo incerto, algumas vezes simplesmente nos perdemos no meio do caminho, e ficamos sem rumo ainda que já não tenhamos um, quando eu te vi eu não me perdi, eu apenas não deveria tê-lo observado tanto, buscar os detalhes deve ter sido meu erro, eu não deveria tê-lo olhado nos olhos, a partir dali acho que toda minha atenção perdeu um pouco da consciência, eu não deveria ter fixado minha vida na sua... como poderia o diabo colocar em seu caminho, alguém que se parece tanto com um anjo quando sorri para você ? Anjo, me diga ... Quanto tempo eu andei? Porque nem ao menos isto eu percebi, talvez porque na realidade, eu não lembre ao certo em que momento eu parei aqui, diante de você, e se eu conseguisse saber em qual momento me deixei vislumbrar por seus olhos, eu saberia quanto tempo andei... Porque o passado nunca me foi tão atraente, mas eu acredito que em algum momento eu precise voltar atrás, de volta ao caminho, aquele que desvia-se diante de sua presença... A quanto tempo estou parada ? Encantada com o seu brilho, eu nunca me senti tão presa ao chão, porém tão leve para flutuar, e eu desejo que me envolva em sua asas, e me leve com você, me envolva em suas grandes asas e me deixe voar até a sua realidade tão distante, eu acredito no seu sorriso, e eu adoraria que soubesse que eu adoro o jeito como sorri, mas como voar contigo, se nem ao menos você sabe como sair do chão, anjo preso a dor, com o triste peso cor de cinza em suas asas, não chore querido, não chore esta noite, apenas venha comigo, deixe-me arrancar-lhe as asas, porque o sangue talvez seja um tanto mais leve que as dores que elas carregam, deixe as lágrimas secarem agora, apenas segure em minha mão, não tenho asas para lhe oferecer um voo, mas não irei te deixar só na caminhada.
Ela.
Fazia tanto tempo que ela não vinha aqui, cheia de mágoas e dores... Ela estava forte até agora, ou ao menos tentava permanecer assim, intacta diante de tudo o que desmoronava na sua frente, ela nunca foi do tipo que teve muito medo, e neste momento assim como nos outros, ela estava ciente de tudo o que poderia acontecer de agora em diante... Desprotegida, pobre garota cheia de ilusões, era assim que se sentia, mas nunca deixou que ninguém percebesse, essa era a sua couraça, sua defesa... atrás de tudo isso ela se escondia, sua proteção pessoal era justamente essa, não precisar da proteção de ninguém, havia aprendido muito antes dali, que confiar nas pessoas poderia ser doloroso, nunca foi boa com as palavras ditas, parecia mesmo engraçado naquele momento... Ela nunca soube pedir socorro, e sempre calou dentro de si seus próprios gemidos de dor. Ela era apenas uma garota comum, dessas que a gente encontra por aí, que topamos todo os dias na rua, não tinha nada de anormal, não ao seu ponto de vista de normalidade, ela não chorava lágrimas de sangue, por mais que seu choro lhe parecesse salobro e sufocante, mas mesmo assim se sentia tão estranha, tão diferente... Ser diferente nunca foi um problema, não para ela, mas naquele momento aquilo tudo lhe incomodava e talvez sua única fuga fosse voltar aqui, a este lugar que ela faz ser tão seu, tão frio, tão quieto, ouvindo apenas o seu próprio pensamento e a música que ela havia escolhido para o fundo.. Queria fugir pra qualquer lugar longe de sua realidade, de todos os problemas, das exigências, queria apenas uma mão que a levantasse, mas cada vez que levantava os olhos não conseguia ver nada além do céu, aquele mesmo céu que a fazia parar pra pensar o quanto era pequenina, se sentia tão indefesa e ao mesmo tempo tão corajosa, mas nunca soube dizer isso a ninguém... As palavras ? Essas lhe sumiam todas só de pensar em colocá-las para fora de algum modo que não esse, ao qual estava tão habituada.... escrever! Essa era a sua melhor forma de expressar o que sentia, mas naquele momento ela não sentia nada, nada além daquela solidão que se apodera vez ou outra da pessoa, mesmo quando ela está mais cercada por gente, gente que as vezes parece nem enxergá-la, ou talvez gente com algum poder sobrenatural de enxergar atravéz dela, talvez isso explique o fato de não perceberem o que ela trás por dentro, mas no fundo é bem mais confortável não ser o centro das atenções. Ela está tentando amarrar seus sonhos, bem presos a ela, para que não se soltem, para que não vão embora junto com tantas outras coisas que já se foram de sua vida, agora, no escuro, ela enxerga melhor que em qualquer outro momento, ela se enxerga por dentro, como é de verdade, como normalmente ninguém sabe enxergar, apenas ela, confortavelmente perdida em si mesma, perdida em seu mundo, no fundo ela sabe, ela pode sentir, que talvez seja isso mesmo, que a vida tenha lhe preparado de surpresa, alguma coisa diferente daquilo que prepara pra maioria das pessoas, mas que acima de tudo, só ela pode fazer isso ser bom ou ruim.
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