Fazia tanto tempo que ela não vinha aqui, cheia de mágoas e dores... Ela estava forte até agora, ou ao menos tentava permanecer assim, intacta diante de tudo o que desmoronava na sua frente, ela nunca foi do tipo que teve muito medo, e neste momento assim como nos outros, ela estava ciente de tudo o que poderia acontecer de agora em diante... Desprotegida, pobre garota cheia de ilusões, era assim que se sentia, mas nunca deixou que ninguém percebesse, essa era a sua couraça, sua defesa... atrás de tudo isso ela se escondia, sua proteção pessoal era justamente essa, não precisar da proteção de ninguém, havia aprendido muito antes dali, que confiar nas pessoas poderia ser doloroso, nunca foi boa com as palavras ditas, parecia mesmo engraçado naquele momento... Ela nunca soube pedir socorro, e sempre calou dentro de si seus próprios gemidos de dor. Ela era apenas uma garota comum, dessas que a gente encontra por aí, que topamos todo os dias na rua, não tinha nada de anormal, não ao seu ponto de vista de normalidade, ela não chorava lágrimas de sangue, por mais que seu choro lhe parecesse salobro e sufocante, mas mesmo assim se sentia tão estranha, tão diferente... Ser diferente nunca foi um problema, não para ela, mas naquele momento aquilo tudo lhe incomodava e talvez sua única fuga fosse voltar aqui, a este lugar que ela faz ser tão seu, tão frio, tão quieto, ouvindo apenas o seu próprio pensamento e a música que ela havia escolhido para o fundo.. Queria fugir pra qualquer lugar longe de sua realidade, de todos os problemas, das exigências, queria apenas uma mão que a levantasse, mas cada vez que levantava os olhos não conseguia ver nada além do céu, aquele mesmo céu que a fazia parar pra pensar o quanto era pequenina, se sentia tão indefesa e ao mesmo tempo tão corajosa, mas nunca soube dizer isso a ninguém... As palavras ? Essas lhe sumiam todas só de pensar em colocá-las para fora de algum modo que não esse, ao qual estava tão habituada.... escrever! Essa era a sua melhor forma de expressar o que sentia, mas naquele momento ela não sentia nada, nada além daquela solidão que se apodera vez ou outra da pessoa, mesmo quando ela está mais cercada por gente, gente que as vezes parece nem enxergá-la, ou talvez gente com algum poder sobrenatural de enxergar atravéz dela, talvez isso explique o fato de não perceberem o que ela trás por dentro, mas no fundo é bem mais confortável não ser o centro das atenções. Ela está tentando amarrar seus sonhos, bem presos a ela, para que não se soltem, para que não vão embora junto com tantas outras coisas que já se foram de sua vida, agora, no escuro, ela enxerga melhor que em qualquer outro momento, ela se enxerga por dentro, como é de verdade, como normalmente ninguém sabe enxergar, apenas ela, confortavelmente perdida em si mesma, perdida em seu mundo, no fundo ela sabe, ela pode sentir, que talvez seja isso mesmo, que a vida tenha lhe preparado de surpresa, alguma coisa diferente daquilo que prepara pra maioria das pessoas, mas que acima de tudo, só ela pode fazer isso ser bom ou ruim.

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