sábado, 27 de dezembro de 2014

Mais lembranças.


Ela estava com saudades dele. Era isso mesmo, e não havia outra explicação. Estava com saudades dele mesmo, do seu jeito, do seu sorriso, de suas brincadeiras, da sua voz, da calma nos seus olhos... Por incrível que pareça, não estava sentindo falta apenas dos beijos, dos abraços, dos carinhos. Esses também lhe faltavam, e a falta que faziam era enorme. Mas se pudesse ter alguma coisa de volta, contentaria-se com tê-lo apenas. Ter as conversas, as palhaçadas, as implicâncias. Ele era incrível, ela não cansava de repetir isso. Parada ali, estava relembrando o passado, um passado recente, que tinha um enorme peso de distância. Agora, lembrar dele não estava lhe trazendo sorrisos, não estava lhe deixando em paz, não estava lhe deixando leve... As lembranças agora enchiam seus olhos de lágrimas, lhe atormentavam, pesavam em seu peito. Como podia?  Era a mesma pessoa, e lhe causava dois estados tão diferentes. Relembrava o dias que passou ao lado dele, as conversas que tiveram, as ideias. Lembrava dele sentado à mesa da cozinha, enquanto ela estava na pia, ou de ambos lá fora sentados, rindo dela mesma e de sua "humildade", recordava das chantagens, das promessas... E em sua mente lhe passava todo o cuidado que tinha para não decepcioná-lo, e agora parecia-lhe que foi tudo o que conseguiu fazer. Ainda não entendia como em tão pouco tempo as coisas haviam mudado tanto, agora não havia mais a inquietação para que os dias e as horas passassem e ela pudesse sentar-se junto a ele na casa de algum dos dois, para que pudessem passar algumas horas juntos. Ele tinha o dom de fazer o tempo correr, e ela adorava perder a noção de tempo junto dele. Não era nenhum incomodo ouvi-lo, olhá-lo, admirá-lo, esperar por ele. Ela o fazia com prazer, mesmo antes de se envolverem daquela forma, estar com ele já era um presente, e ela não pode negar o quanto tudo aquilo havia mexido e marcado sua vida. Ele que quebrou as grades e derrubou os muros dela, e tudo o que havia sobrado foram as ruínas. Irônico... 
Ela sempre sonhou com um amor avassalador, mas até agora a única coisa que lhe avassalava na vida, era a dor.


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