
Ela adora escrever sobre romances... Ela não tem nenhum romance que possa descrever agora. Então resolveu falar de si mesma.
Uma garota boba! Está aí uma afirmação que passa longe de ser necessária para quem a conhece. Ao menos superficialmente. Ela sonha demais, ri demais, fala demais, brinca demais, canta demais, ama demais... Faz tudo exageradamente, como se a qualquer momento algo lhe pudesse tirar qualquer uma dessas coisas, e precisasse ter a certeza de que fez tudo o que podia. Ao mesmo tempo, ela passa horas imaginando, supondo, calculando tudo, mesmo quando sabe que talvez não siga nenhuma dessas suas medidas. Ela é uma contradição. Quando todas as suas experiências deveriam torná-la fria, calculista, medrosa, e desacreditada, ela simplesmente se mostra ainda mais corajosa, impulsiva, esperançosa...e porque não dizer, louca!
É isso mesmo, só pode ser loucura. Ela ainda sonha como uma garotinha de 15 anos, fantasia e idealiza a felicidade, o amor... Ah o amor, ela o descreve com uma perfeição que ela mesma nunca chegou a conhecer, e ainda assim acredita na sua existência, e espera por ele... Ela já decepcionou sim, e sabe disso. E não faz um pingo de questão de que alguém acredite no contrário, não se importa que saibam quem é, como é... Ser amada? Quem não quer? Mas quer que amem a ela mesma, a sua essência, por mais estranha e sem noção que possa parecer as vezes, quer a liberdade de não ter que fingir, quer mais que ser completa, completar alguém. E tantas e tantas vezes já foi decepcionada... Adoraria saber fingir, as vezes sim. Porque quando se é transparente demais, a probabilidade de chorar se torna ainda maior. Quantas noites em claro? quantas gotas derramadas? Naquele momento não importava, isso seria recompensado um dia. Ah sim, seria. As vezes era imatura, para sua idade ao menos... E ainda assim conseguia agir com a maior maturidade do mundo quando necessário. Ficava surpresa com o dom de ajudar os outros, e de se alto complicar. Era uma menina e ao mesmo tempo uma mulher, doce e amarga, séria e descontraída, sã e louca... Era feliz, e isso bastava, mesmo quando sentia-se a mais triste do mundo. Particularmente, se achava exagerada, e as vezes até incomum. Costumava reparar em coisas que ninguém mais reparava hoje em dia, tinha gostos peculiares, e por mais moderna que fosse, levava dentro de si um pensamento "cafona" para certas coisas. Cheia de manias e falhas, cheia de medos. E ainda assim arriscava, ousava. Sabia de uma coisa... Por mais que falasse de si mesma, por mais que lhe conhecessem, ainda tinha a impressão que nunca saberiam quem ela realmente é.
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