terça-feira, 9 de junho de 2015

 

Naquele momento já não incomodava o frio, ou a chuva caindo sobre ela, não importava se estava molhada e ao relento, no fundo, tudo o que realmente fazia algum sentido , era o silêncio dentro de sua cabeça "- Esvazie sua mente. Livre-se de seus temores." Ela repetia incansavelmente para si mesma... Ouvia apenas a sua voz, baixa e cansada, já havia suportado tanto de pé, que agora ali, no chão, sentia-se mais confortável do que derrotada.
No fundo, tudo  o que ela realmente queria era libertar-se, carregava um fio de esperança dentro de si, tão teimoso quanto ela mesma, que insistia em permanecer vivo, mesmo que todo o resto tivesse desejando que ela e seu mundo morresse. As vezes ela mesma queria morrer. Mas só as vezes. Agora, ela estava lá, prostrada, sentindo os suaves golpes de cada gota vinda do céu, caindo e molhando, suplicava para si mesma e para a própria chuva, para que cada uma daquelas gotas pudessem lavar sua alma tão cheia de manchas, quem sabe assim sairia dali "viva", ressurgida das cinzas do que lhe sobrou, como uma fênix.


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