
Talvez fosse só mais um daqueles momentos dela, por dentro ela já sentia-se totalmente habituada a esse ritual nem um pouco confortante. Pareceria loucura dizer que havia algum sentido nisso, principalmente quando dia após dia, incansavelmente ela busca um sentido pra continuar assim.
Era como uma forte onda, que simplesmente vinha e puxava ela pro fundo, como o fundo do mar mesmo, ela mal conseguia ver, respirar, gritar... Apenas sufocava, sentia a inquietação, a impaciência , o medo e todas as outras desesperadoras sensações chegando e matando ela mais uma vez. E quantas vezes ela já havia morrido ?
Mais uma vez, um vídeo, uma música... E logo surgiam aquelas infinidades de pensamentos. Até quando? Tinha tantos ao seu redor, tanta gente, tanto carinho, tantos sorrisos, e ainda assim consegue sentir-se só, e isso lhe assusta tanto. Tem tantos sonhos que quer realizar, tem tantas ideias legais, sorrisos e declarações que pretende fazer. E se ...
Ela precisa ser forte, o dia todo, o tempo todo, porque jamais saberia explicar a sua fraqueza pra ninguém, e embora tentasse, talvez nunca conseguissem compreendê-la, bobagem demais talvez, mas o mundo dela estava tão inseguro. Sentia um pouco de inveja sabe ? Não de uma forma ruim, não de uma forma que a torne pior do que já é. Apenas aquele desejo de poder ser ou ter também... Sentia, cada vez que via aqueles casais, que lia aquelas histórias, ou até que ouvia aquelas músicas... E acabava do mesmo jeito de sempre, no quarto escuro, chorando por alguém que talvez nem existisse.
Estava machucada demais, por tudo, por todos... Quantas vezes mais precisaria ver os sonhos se quebrarem, quantas vezes mais precisaria catar seus pedaços espalhados pelo chão, isso quando ela mesma não caía ao chão. Tem tanto medo de ficar só, quanto tem de arriscar e acabar sendo infeliz. Confiar, agora parecia a maior prova de loucura. Não queria destruir ninguém, e ainda assim destruiu, e tantas outras vezes foi destruída. Quantas vezes quis pedir ajuda, quis gritar, quis sumir... Mas porque, para quê ? Isso doeria até que ela conseguisse distrair a mente e depois pararia de doer, e ficaria "tudo bem" , até que o medo volte, até que a incerteza volte. Ela não exigia muito, apenas alguém pra compartilhar a vida, alguém que não soltasse suas mãos quando ela confiasse de olhos fechados, alguém que não a largasse no caminho. Dizem que as decepções acabam matando todo e qualquer sentimento dentro das pessoas, mas os dela não morreram, apenas ficaram lá, sequelados e deficientes, sofrendo e fazendo sofrer. E ela adorava fingir ser a dona do mundo, quando na realidade sabe não ser capaz de lidar nem com as próprias dores.
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