terça-feira, 21 de junho de 2011

Antes...

Eu estava lá, sentada em algum lugar , imóvel e inquieta , tentando conciliar as palavras dentro da minha cabeça, tentando ouvir o som do meu próprio grito ecoando pelas paredes invisíveis que cercavam minha alma.

eu estava tão mórbida e tão silenciosa, e ainda assim um barulho insuportável me impedia de pensar, estava ali parada, sentada em algum lugar , e olhei para o céu, pra toda a quele imensidão gigante e cheia de vida, tão sublime e tão acolhedora, eu olhava aquele céu, em busca de conseguir para mim ao menos um pouco da paz que ele tinha, eu não estava em paz, não comigo mesma... e algo dentro de mim pedia pra ir embora dali, enquanto outra parte minha me pedia pra não ir, eu só permaneci ali , parada e imóvel, relembrando aquele dia, em que sentada naquele mesmo lugar eu olhava o mesmo céu ao seu lado... mas você não era mais o mesmo, não ali, não naquele lugar, não comigo... não mais.

 E eu olhava pro vazio, e enchergava o seu rosto , aquele mesmo rosto que um dia encherguei tão sereno, o mesmo rosto que abrigava o sorriso faceiro que me conquistou, sentada ali sobre aquela grama verde e molhada, meus dedos tocando-a suavemente, sentiam como que por lembrança viva da vez que ali deitados e abraçados , após tanto caminhar, admiráva-mos juntos a mesma lua que agora eu espreitava. agora eu estava ali em meio a algo que havia existido tão vivamente , tentando entender o porque de tudo ter acabado... eu poderia estar em qualquer outro lugar, sentindo essa chuva, ou até mesmo longe dela, pra não me molhar, mas me pareceu tão melhor estar aqui, tentando acreditar que cada gota dessa chuva que cai por sobre meu corpo, me ajudará a limpar de dentro do meu coração cada lembrança dessa, e eu sinto como se tudo aquilo escorresse nessa grama... como eu queria que esse recentimento saísse de dentro de mim e fosse embora, escorresse junto com essa água e se enterrasse nessa terra a dentro, como eu queria poder me levantar dali , mesmo que toda suja, mas sem cambalear por mais uma vez procurando um alguém que me fizesse esquecer de você, embora nesse momento o máximo que eu consiga seja me embriagar em meu próprio soluço abafado e seco, diante da dor causada por tudo aquilo que um dia me trouxe paz.

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