segunda-feira, 9 de maio de 2011

Águas,

  

Diante daquele enorme rio tranquilo, cujas águas escuras arrebatavam a alma a algum lugar tão imenso quanto ele próprio, parada , observava o céu de nuvens ralas e sensíveis , talvez os braços não pudessem, porém a alma as tocava , buscando na aparência macia delas um pouco de conforto pra todos os pensamentos inquietos e inseguros, sentia-se viva , respirava aliviada de uma forma que não respirava antes, aquele ar limpo, e sereno lhe entrava pelas narinas limpando seus pulmões de toda a fumaça interna que lhe tirava o fôlego.
Tinha medo de precisar encarar o resto do mundo mais uma vez, medo de cometer novos erros , sentia-se bem apenas ali, sem ninguém, apenas com aquele coração machucado em suas mãos, e mesmo assim ousando deixá-lo flutuar e sonhar coma lgo melhor pra si e pra todos que a cercavam, deixava que seus olhos se perdessem no infinito, enquanto seu olhar banhava-se e deitava por sobre as águas daquele rio...
pensava em tudo que havia dito e feito, nos olhares que já resgatou, nas palavras que já proferio, nas mãos que segurou, nos beijos que já sentiu, pensava em si, e em outros, pensava naquele alguem que não sabia onde estava naquele momento, que não poderia mais procurar, aquele alguém doce que um dia chamou e perguntou seu nome, mas em quem não deveria mais pensar, naquele problema que causou, nos conflitos que gerou, pensou em tudo e ao mesmo tempo não quis pensar em nada, porque doia, porque feria, porque a fazia mau, ali, naquele único lugar onde se sentiu bem.
E continuou sosinha, ela e seu coração flutuante, seus olhos que deixara de procurar as águas, e as águas que escorreram de seus olhos, na esperança dessas águas limparem aquele interior cansado.

Um comentário:

  1. Own miinha xará, parece que esse post. foi feito pra mim. tá mto lindo seu blog, visita o meu aí tá, bjo.

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